sábado, 21 de maio de 2016

O MAL NÃO EXISTE?








Talvez uma das situações mais difíceis  com que nos defrontamos desde que estamos nesse Planeta é a questão do mal.
É  constrangedor aceitar que vivemos em um mundo criado por um Deus benevolente, Onipotente,   e  experimentemos tantas desventuras.
Epicuro ,  há séculos  se defrontou com essa situação e propôs o seguinte paradoxo:
Ou Deus pode vencer o mal mas não quer, ou quer e não pode ou não pode e não quer ou pode e quer. Então se quer e não pode, faltar-lhe-ia a onipotência, se no entanto não quer , mas pode então não existe nele bondade, se não pode e não quer perde-se ai a noção da Divindade, mas se quer e  pode,  porque não o faz?
Assim,  um dos homens que ofereceu uma resposta mais satisfatória, embora não ausente de falhas, foi Santo Agostinho. Agostinho foi um dos primeiros grandes padres da Igreja, que junto com Tomas de Aquino desenvolveu a filosofia para ampliar a teologia.
A idéia do pensador era assim: Na verdade não existe o mal enquanto substância, mas apenas o mal moral e o mal natural. O mal moral é responsabilidade humana, pelo seu pecado original, pela sua  incapacidade em usar o livre arbítrio que Deus lhe concedeu, extrapolando os limites do mesmo e incorrendo em erro. Assim em decorrência desses erros aconteceriam todos os males naturais, como enchentes, terremotos e demais  mazelas da Natureza.
Mas o mal no sentido metafísico , esse nunca existiu. O que  ocorre é que na ausência do bem, na falta de Deus, surge o mal. É como a confecção de uma aliança de ouro. No processo de composição da mesma, na sua confecção circular, sobra um espaço  um “buraco”. De fato, não existe uma substância buraco na aliança. O que falta é o ouro naquele espaço. De igual maneira, não há o mal, mas apenas a ausência do bem, o que geraria a percepção negativa
Analisando o argumento, outros filósofos perceberam am falhas, como Baley, que dizia que embora se possa argumentar que Deus não é culpado pelo mal, da mesma maneira cabe nos lembrar que se foi o Eternos quem deu o livre arbítrio ao homem e se Ele sabia que esse homem iria extrapolar no uso desse conceito,  de certa forma é culpado  do mal causado pela sua criatura.
Leibniz amplia a percepção em relação ao tema.Em sua idéia, Deus criou o melhor dos mundos possíveis, querendo dizer com isso que ao criar todas as possibilidades  a Divindade calculou matematicamente a melhor das situações em que o Universo poderia existir, e dentro dessas possibilidades teria colocado o mal como variável para equilibrar o sistema, sendo que no final ,a equação serviria para criar vantagem e não perda.
Ou seja, nós enxergamos algo como mal, porque vemos apenas em parte, não temos a visão do todo, como Deus, e esse tendo a visão do todo ,permite esse mal porque sabe que ele vai colaborar com um Bem  maior no futuro.
Esse posicionamento de Leibniz é chamado de otimismo filosófico e recebe críticas de Kant, de Voltaire e de Rosseau
Kant acredita, como agnóstico , que não existe possibilidade de compreendermos a maioria das questões metafísicas, portanto não há como falar sobre elas. Voltaire, usando como exemplo o terremoto ocorrido em Lisboa em 1775, argumenta que, de que maneira iríamos convencer aquelas pessoas que tiveram seus parentes mortos, que o ocorrido seria benéfico? Dizer que  os cães e os vermes e os ratos iriam ser alimentados com o cadáver de seus queridos, que haveria emprego para pedreiros e arquitetos.....?
Rousseau por outro lado exime Deus de qualquer culpa, afirmando que o homem é o responsável por tudo de ruim que acontece, porque rompeu com seu estado natural e através de atitudes  de alguns que se apropriaram  das riquezas , criaram as desigualdades que trouxeram tantas desgraças para a Humanidade.

Enfim, o problema do mal de certa forma continua ainda como algo que não tem uma resposta definitiva e cabe a cada um de nós formular ou buscar novas respostas adequadas ao momento em que vivemos!!! 

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