segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O PEQUENO PRÍNCIPE - Antoine de Saint Exupéry

 

Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma figura magnífica num livro sobre a floresta virgem, chamado Histórias vividas. Representava uma jiboia engolindo uma fera. Esta é a cópia do desenho.

O livro dizia: "As jiboias engolem a presa inteira, sem mastigar. Depois, não conseguem se mexer e ficam dormindo durante os seis meses da digestão".

Então pensei muito nas aventuras da selva e, com um lápis de cor, consegui traçar meu primeiro desenho. Meu desenho número 1. Era deste jeito:

Mostrei minha obra-prima à gente grande, perguntando se meu desenho lhes dava medo.

Responderam:

- Por que um chapéu daria medo?

Meu desenho não representava nenhum chapéu. Representava uma jiboia digerindo um elefante. Então desenhei a jiboia por dentro, para que a gente grande pudesse entender. Gente grande sempre precisa de explicações. Meu desenho número 2 era assim:


A gente grande me aconselhou a deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas e a me interessar mais por geografia, história, aritmética e gramática. Foi assim que, com a idade de seis anos, abandonei uma fabulosa carreira de pintor. Fui desencorajado pelo insucesso de meu desenho número 1 e de meu desenho número 2. Gente grande nunca entende nada sozinha, e é cansativo para as crianças ficar o tempo todo dando explicações...

Por isso, precisei escolher outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei praticamente o mundo inteiro. E a geografia, é verdade, me serviu muito. Num relance eu sabia distinguir a China do Arizona. É muito útil para quem fica perdido de noite.

Assim, durante a vida toda, entrei em contato com uma quantidade enorme de gente séria. Convivi muito com gente grande. Pude vê-la bem de perto. Isso não melhorou muito minha opinião a seu respeito. Quando conhecia alguma pessoa adulta que me parecesse um pouco lúcida, fazia com ela o teste do meu desenho número 1, que eu ainda guardava. Queria saber se ela era de fato inteligente. Mas sempre me respondiam:

- É um chapéu.

Então eu não lhe falava de jiboias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me onde ela pudesse me alcançar. Falava de bridge, golfe, política e gravatas. E a pessoa adulta ficava bem contente por conhecer um homem tão sensato...




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

CRÔNICA - ELA - DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO.

 Ainda me lembro do dia em que ela chegou lá em casa. Tão pequenininha! Foi uma festa. Botamos ela num quartinho dos fundos. Nosso filho – naquele tempo só tinha o mais velho – ficou maravilhado com ela.

 Era um custo tirá-lo da frente dela para ir dormir. Combinamos que ele só poderia ir para o quarto dos fundos depois de fazer todas as lições. - Certo, certo. - Eu não ligava muito para ela. Só para ver um futebol ou política. Naquele tempo, tinha política. Minha mulher também não via muito. Um programa humorístico, de vez em quando. Noites cariocas...

 Lembra de Noites Cariocas? - Lembro vagamente. O senhor vai querer mais alguma coisa? - E me serve mais um destes. Depois decidimos que ela podia ficar na copa. Aí ela já estava mais crescidinha. Jantávamos com ela ligada, porque tinha um programa que o garoto não queria perder. Capitão Qualquer Coisa. A empregada também gostava de dar uma espiada. José Roberto Kely. Não tinha um José Roberto Kely? - Não me lembro bem.

 O senhor não me leva a mal, mas não posso servir mais nada depois deste. Vamos fechar. - Minha mulher nem sonhava em botar ela na sala. Arruinaria toda a decoração. Nessa época já tinha nascido o nosso segundo filho e ele só ficava quieto, para comer, com ela ligada. Quer dizer, aos poucos ela foi afetando os hábitos da casa. E então surgiu um personagem novo nas nossas casas que iria mudar tudo. Sabe quem foi? - Quem? - O Sheik de Agadir. Eu, se quisesse, poderia processar o Sheik de Agadir. Ele arruinou o meu lar. - Certo. Vai querer a conta? - Minha mulher se apaixonou pelo Sheik de Agadir.

 Por causa dele, decidimos que ela poderia ir para a sala de visitas. Desde que ficasse num canto, escondida, e só aparecesse quando estivesse ligada. Nós tínhamos uma vida social intensa. Sempre iam visitas lá em casa. Também saíamos muito. Cinema, Teatro, jantar fora. Eu continuava só vendo futebol e notícia. Mas minha mulher estava sucumbindo depois do Sheik de Agadir, não queria perder nenhuma novela. - Certo. Aqui está a sua conta. Infelizmente temos que fechar o bar. - Eu não quero a conta. Quero outra bebida. Só mais uma. - Está bem… Só mais uma. - Nosso filho menor, o que nasceu depois do Sheik de Agadir, não saía de frente dela.

 Foi praticamente criado por ela. É mais apegado à ela do que a própria mãe. Quando a mãe briga com ele, ele corre pra perto dela pra se proteger. Mas onde é que eu estava? Nas novelas. Minha mulher sucumbiu às novelas. Não queria mais sair de casa. Quando chegava visita, ela fazia cara feia. E as crianças, claro só faltavam bater em visita que chegasse em horário nobre. Ninguém mais conversava dentro de casa. Todo mundo de olho grudado nela. E então aconteceu outra coisa fatal. Se arrependimento matasse… - Termine a sua bebida, por favor. Temos que fechar. - Foi a copa do mundo. A de 74. Decidi que para as transmissões da copa do mundo ela deveria ser bem maior. E colorida. Foi a minha ruína. Perdemos a copa, mas ela continua lá, no meio da sala. Gigantesca. É o móvel mais importante da casa. Minha mulher mudou a decoração da casa para combinar com ela. Antigamente ela ficava na copa para acompanhar o jantar. 

Agora todos jantam na sala para acompanhá-la. - Aqui está a conta. - E, então, aconteceu o pior. Foi ontem, hora do Dancin’ Days e bateram na porta. Visitas. Ninguém se mexeu. Falei para a empregada abrir a porta, mas ela fez “Shhh!” sem tirar os olhos da novela. Mandei os filhos, um por um, abrirem a porta, mas eles nem me responderam. Comecei a me levantar. E então todos pularam em cima de mim. Sentaram no meu peito. Quando comecei a protestar, abafaram o meu rosto com a almofada cor de tijolo que minha mulher comprou para combinar com a maquiagem da Júlia. Só na hora do comercial, consegui recuperar o ar e aí sentenciei, apontando para ela ali, impávida no meio da sala: “Ou ela, ou eu!”. O silêncio foi terrível. - Está bem… mas agora vá para casa que precisamos fechar. Já está quase clareando o dia… - Mais tarde, depois da Sessão Coruja, quando todos estavam dormindo, entrei na sala, pé ante pé. Com a chave de parafuso na mão. Meu plano era atacá-la por trás, abri-la e retirar uma válvula qualquer. Não iria adiantar muita coisa, eu sei. Eles chamariam um técnico às pressas. Mas era um gesto simbólico. Ela precisava saber quem é que mandava dentro de casa.

 Precisava saber que alguém não se entregava completamente a ela, que alguém resistia. E então, quando me preparava para soltar o primeiro parafuso, ouvi a sua voz. “Se tocar em mim você morre”. Assim com toda a clareza. “Se tocar em mim você morre”. Uma voz feminina, mas autoritária, dura. Tremi. Ela podia estar blefando, mas podia não estar. Agi depressa. Dei um chute no fio, desligando-a da tomada e pulei para longe antes que ela revidasse.

 Durante alguns minutos, nada aconteceu. Então ela falou outra vez. “Se não me ligar outra vez em um minuto, você vai se arrepender”. Eu não tinha alternativa. Conhecia o seu poder. Ela chegara lá em casa pequenininha e aos poucos foi crescendo e tomando conta. Passiva, humilde, obediente. E vencera. Agora chegara a hora da conquista definitiva. Eu era o único empecilho à sua dominação completa. Só esperava um pretexto para me eliminar com um raio caótico. Ainda tentei parlamentar. Pedi que ela poupasse a minha vida. Perguntei o que ela queria, afinal. Nada. Só o que ela disse foi “Você tem 30 segundos”. - Muito bem. Mas preciso fechar. Vá para casa. - Não posso. - Por quê? - Ela me proibiu de voltar lá. Luí

Mitologia grega: Prometeu e a punição de Zeus

 


Prometeu e a criação do homem
Prometeu e a criação do homem

No começo havia apenas o vazio e o Caos, e nele morava Nyx, um pássaro de asas negras. Esse pássaro pôs um ovo de ouro, de onde surgiu Eros, o deus do amor. Uma parte da casca subiu e se tornou o céu e a outra se tornou a Terra.

Eros então nomeou o céu de Urano e a Terra de Gaia. Depois, fez eles se apaixonarem.

Urano e Gaia tiveram muitos filhos, tanto deuses quanto monstros. Um deles, chamado Cronos, matou seu pai e tomou o posto como governante, e para que ele não fosse traído também, sempre engolia seus filhos ao nascerem.

Quando seu sexto filho nasceu, sua mãe o escondeu para que ele não tivesse o mesmo destino. Esse filho era Zeus, que quando cresceu conseguiu enganar seu pai e salvar seus irmãos. Assim, Zeus se tornou líder dos Deuses.

Mas ainda não haviam homens e animais na Terra. Então Zeus pediu à seus filhos Prometeu e Epimeteu que fossem à Terra, criassem esses seres e dessem um presente a cada um deles.

Prometeu criou os homens à imagem dos deuses, enquanto Epimeteu trabalhou nos animais. Epimeteu terminou primeiro a sua obra, dando um presente a cada um dos animais, e quando Prometeu terminou sua criação, já não havia presentes para dar ao homem.

Por isso, Prometeu decidiu roubar o fogo dos deuses e dar aos homens. Zeus ficou furioso quando descobriu, e além de castigar seu filho com o sofrimento eterno, resolveu punir também os homens.

Para isso, ele criou uma mulher muito bela chamada Pandora, e a fez esposa de Epimeteu. Zeus deu à Pandora uma caixa que nunca deveria ser aberta, mas movida pela curiosidade, ela o fez.

Quando Pandora abriu a caixa, dela saíram todos os males que assolam a humanidade até hoje, como a dor, a doença e a ganância.

FESTA JUNINA!

Ontem fui ao arraial de Lajeado, fazia um tempo que não ia ver as quadrilhas dançarem nas festas juninas. O povo do norte e nordeste brasile...