terça-feira, 31 de maio de 2016

O MAL É ONDE DEUS NÃO ESTÁ!











Talvez uma das situações mais difíceis  com que nos defrontamos desde que estamos nesse mundo é a questão do mal.
É  constrangedor ter que aceitar que se vivemos em um mundo criado por um Deus benevolente, Onipotente,  experimentamos tantas desventuras.
Epicuro ,  há séculos atrás se defrontou com essa situação e propôs o seguinte paradoxo
Ou Deus pode vencer o mal mas não quer, ou quer e não pode ou não pode e não quer ou pode e quer.
Então se quer e não pode, faltar-lhe-ia a onipotência, se no entanto não quer , mas pode então não existe nele bondade, se não pode e não quer perde-se  a noção da Divindade, mas se quer e se pode, então porque não o faz?
Assim, talvez um dos homens que deu uma resposta mais satisfatória, embora não ausente de falhas foi Santo Agostinho. Agostinho foi um dos primeiros grandes padres da Igreja, que junto com Tomas de Aquino desenvolveu a filosofia para ampliar a teologia.
A idéia do pensador era assim: Na verdade não existe o mal enquanto substância, mas apenas o mal moral e o mal natural. O mal moral é devido ao homem, pelo seu pecado original, pela sua  incapacidade em usar o livre arbítrio que Deus lhe deu , extrapolando os limites do mesmo e incorrendo em erro.  Em decorrência desses percalços aconteceriam todos os males naturais, como enchentes, terremotos e as mazelas que conhecemos dentro da Natureza.
 O mal no sentido metafísico , esse nunca existiu; o que na verdade ocorre é que na ausência do bem, na falta de Deus, surge o mal. É como uma aliança de ouro. No processo de composição da mesma, na sua confecção circular, sobra um espaço em branco um “buraco”. Na verdade, não existe uma substância buraco naquela aliança. O que falta na verdade é o ouro naquele espaço. De igual maneira, não existe o mal, mas apenas a ausência do bem, o que geraria a percepção negativa
Analisando o argumento outros filósofos viram falhas, como Baley, que dizia que embora se possa argumentar que Deus não é culpado pelo mal, da mesma maneira cabe nos lembrar que se foi Deus quem deu o livre arbítrio ao homem e se Deus sabia que esse homem iria extrapolar no uso desse conceito, então Ele de certa forma é culpado  do mal causado pelo homem.
Leibnis também procura modificar a questão da origem do mal.
Em sua idéia, a  Divindade criou o melhor dos mundos possíveis, querendo dizer com isso que ao gerar todas as possibilidades possíveis, o Eterno calculou matematicamente a melhor das situações em que nosso Planeta poderia  existir, e dentro dessas possibilidades teria colocado o mal como variável para equilibrar o sistema, sendo que l no final da equação  os malefícios serviriam para criar vantagem e não perda.
Ou seja, nós enxergamos algo como ruiml, porque vemos apenas em parte, não temos a visão do todo, como Deus, e esse tendo a visão do todo permite essa entropia porque sabe que ela vai colaborar com um Bem  maior no futuro.
Esse posicionamento de Leibniz é chamado de otimismo filosófico e também recebe críticas de Kant, de Voltaire e de Rosseau
Kant acredita, como agnóstico que é, que não existe possibilidade de compreendermos a maioria das questões metafísicas, portanto não há como falar sobre elas. Voltaire, usando como exemplo o terremoto ocorrido em Lisboa em 1775, sustenta  que, de que maneira iríamos argumentar com aquelas pessoas que tiveram seus parentes mortos,? Que de alguma maneira seriam beneficiadas com o ocorrido, que os cães e os vermes e os ratos iriam ser alimentados com o cadáver de seus queridos, que haveria emprego para pedreiros e arquitetos?.
Rosseau por outro lado exime Deus de qualquer culpa, dizendo que o homem é o responsável por tudo de negativo que acontece, porque rompeu com seu estado natural e através de atitudes a de alguns que se apropriaram  das riquezas e criaram as desigualdades  que trouxeram tantas desgraças para a Humanidade.

Enfim, o problema do mal de certa forma continua ainda como algo que não tem uma resposta definitiva e cabe a cada um de nós sempre refletirmos sobre o assunto de maneira a ampliar nossos conhecimentos e tentar amenizar um pouco nossas dores. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

MIL PALAVRAS





Sócrates e Platão foram dois pensadores gregos que deram muita importância aos conceitos absolutos como Verdade, Justiça, Amor, Bondade, Beleza. Pelo pensamento desses dois filósofos  as pessoas deviam buscar a essência das ideias.
Na visão dos sofistas, que eram os precursores dos atuais professores, o importante não era exatamente o conceito absoluto sobre algo, porque para eles não haviam absolutos, mas relatividades, sendo o homem a medida de todas as coisas na concepção de Protágoras, ou seja, o que valia não era o conceito em si, mas aquilo que o homem pensava a respeito dele, e de acordo com as situações e momentos em que estivesse vivendo. 
Naquele processo histórico, a sociedade grega vivia o auge da democracia inspirado no modelo de Atenas Não havia tanta necessidade de  treinar o corpo, as habilidades guerreiras, mas principalmente desenvolver argumentos e de que maneira utiliza-los para convencer, pois a democracia ateniense era direta e pressupunha que os cidadãos dispusessem de capacidades argumentativas para defender seus direitos na Ágora!
De lá para cá, ocorreram diversas mudanças na sociedade, até mesmo a democracia se estendeu a outros povos, em outras dimensões e não havendo mais a possibilidade de uma participação direta, passamos ao modelo representativo.
Mas a capacidade de usar a persuasão, e a oratória para convencer continua, levando a palavra a um status que extrapola sua real importância.

Isso vai contaminando os diversos grupos sociais, que passam a usar a retórica como estratégia para alcançar vantagens nas situações da vida, o que não está errado, desde que esse uso não ultrapasse as noções de ética e convivência ,o que então se transformaria no famoso "jeitinho brasileiro"
No filme Mil palavras, Jack McCall era um agente literário extremamente falante, que conseguia fechar contratos usando de seu grande poder de oratória e persuasão e se utilizando de alguns recursos digamos fora de padrões éticos aceitáveis, como a cena em que para passar a frente de uma grande fila, simulou ter recebido uma chamada telefônica do hospital, onde sua esposa estaria para ganhar gêmeos. 
Jack , da mesmo forma, consegue entrar em contato com um místico com milhares de seguidores e que seria uma ótima aposta para a publicação de um livro. 
Através da persuasão e engodo , consegue assinar um contrato. Qual a sua surpresa quando descobre que o livro tinha apenas 5 páginas.
E o pior: Em seu quintal nasce uma árvore e de alguma forma estranha essa árvore está ligada a ele, e toda vez que  expressa uma palavra cai uma folha. Conversando com o místico, esse lhe explica que possivelmente aquela árvore simbolize a sua vida, e que cada verbalização faz cair uma folha, uma metáfora da sua força vital que está se esvaindo e possivelmente ao cair da última folha ele irá morrer.
Jack se desespera e então tem início as tentativas de falar o menos possível, inclusive usando o artificio de mímica.
Bem a película continua e o final é muito interessante, mas o que quero usar como reflexão é que Jack era um homem que acreditava no poder das palavras, das realizações humanas, mas pouco se interessava pelo silêncio, pelo ouvir da voz interior, de sua consciência e espiritualidade. A árvore que ia perdendo suas folhas simbolizava o próprio Jack que necessitava cuidar de si mesmo de sua interioridade, desenvolver suas competências espirituais, exercitar o perdão, e enxergar o mundo de forma diferente.
Igualmente podemos aprender sobre a importância das palavras ditas no tempo certo, não desperdiçada em conversas frívolas, ou servindo simplesmente para convencer, ou para diminuir pessoas, o que é muito comum em nossa sociedade.
Como reagiríamos, se soubéssemos que temos apenas mil palavras? Quais delas elegeríamos para nos expressar, e quando falar e para quem falar?

terça-feira, 24 de maio de 2016

A LÓGICA DO CISNE NEGRO


A maioria dos brasileiros com certeza estudou em escola pública e nos últimos tempos, talvez possamos dizer de uns 20 anos para  cá, a educação passou por diversas transformações, algumas positivas, outras não.
As que considero positivas se referem a universalização do ensino, haja vista que tínhamos uma escola altamente seletiva, onde apenas alunos de uma determinada classe social conseguiam frequentar as salas escolares, sendo a grande massa alijada do processo educativo.
Outra vantagem se deu na questão pedagógica, onde diversas maneiras de se perceber o aluno, a aprendizagem e o ensino revolucionaram o modo de dar aula. Um dos métodos mais atuais é o Construtivismo que em linhas gerais diz que o aluno é o centro da aprendizagem,  só se constrói o conhecimento em interação com o meio ambiente, sendo fundamental criar um conflito cognitivo para que o mesmo pouco a pouco fosse se aprimorando naquilo que sabe.
Podemos também elencar que foram criados sistemas de avaliação como o SAEB O Saresp e outros indicadores para avaliar se realmente o estudante estava evoluindo.
Apesar disso, é preciso destacar que também aconteceram retrocessos.  Com a universalização do ensino as classes ficaram superlotadas, e o professor não estava preparado para trabalhar com crianças e jovens tão diferentes em personalidade e na maneira com que aprendiam. Isso gerou um estresse muito grande nos educadores, e de certa forma impediu que eles tivesse tempo para dar a atenção a todos os educandos, visto que sendo a sala muito lotada isso se tornou inviável, diminuindo assim a qualidade do ensino.
Outro fator foi a perda da autoridade do professor, com o deslocamento da importância do ensino ligada a aprendizagem dos estudantes.
Enfim, o que quero destacar é que diante das situações acima expostas, a educação da maioria  é deficitária e nos permite apenas uma base  dos principais conhecimentos necessários para atuarmos em sociedade.
Certamente que na Matemática não tem sido diferente, inclusive no próprio  PISA que é um exame que mede a capacidade dos adolescentes em termos mundiais constatou-se que o Brasil é um dos últimos na matéria.
Isso diminui muito a capacidade lógica de todos nós.
Desde Aristóteles aprendemos que há duas formas principais de pensamento para alcançarmos o conhecimento. Um deles é o pensamento dedutivo que parte de premissas particulares para inferir conceitos gerais, e o outro método é o indutivo, que parte de premissas gerais para se eleger conhecimentos particulares. Inclusive o método científico se utiliza da indução, embora saibamos por estudos mais recentes que ambos os métodos tem suas limitações e muitos autores criaram outros tipos de lógica para dar conta da complexidade do mundo.
Usando como exemplo o método indutivo temos:
Não foram avistados cisnes negros em nenhum continente
Logo os cisnes negros não existem.
Vejam, a partir de um exemplo geral, tenta-se inferir uma idéia universal. Mas diferente da dedução, ocorre  uma generalização, porque não há como vasculhar cada pedaço de território de um continente para saber se não existe realmente um cisne negro.
Até que algum  dia encontram um cisne negro na Austrália.

 Nassim Taleb escreveu um livro que chamou de A Lógica do Cisne Negro. O autor nos passa a mensagem de que  vivemos  limitados por um pensamento que alcança apenas a média. A média do que vivemos, do que cremos, do que vemos.  É o chamado senso comum a que nos acostumamos, não tendo a facilidade de ir além do usual.
O extremo  portanto são os cisnes negros.ou seja, acontecimentos que fogem a nossa capacidade de raciocínio, que estão além da  pueril imaginação, que ferem e extrapolam o senso comum.
Quer um exemplo de cisne negro. ? Os atentados de 11 de setembro são um modelo clássico de eventos que ninguém imaginava, talvez até algumas intuições do cinema como o filme Nova York sitiada, mas nada como os acontecimentos ocorreram. A reeleição do Presidente Luis Inácio da Silva no Brasil...... o crash da Bolsa em 1929,

Pouquíssimas pessoas estão preparadas para antecipar o aparecimento de um cisne negro, e isto pode ser a diferença entre o fracasso e o sucesso ..
Trazendo isso mais para a nossa realidade, em acontecimentos da nossa vida pessoal, em que medida temos a capacidade de nos antecipar? Baltazar Grácian em seu livro a Arte da Prudência nos dava , entre tantos, exatamente esse conselho: Aprenda a antecipar.
É claro que só conseguiremos isso se tivermos uma boa base de conhecimento, estarmos antenados com o que acontece ao nosso redor e do mundo e  usarmos um pouco de Matemática, ou as probabilidades. Sempre entender que a maioria de tudo que acontece são probabilidades e compreender um pouco isso é fundamental para obtermos vantagens importantes em nossa vida pessoal e Profissional.
E vocês... estão preparados para antecipar cisnes negros?





segunda-feira, 23 de maio de 2016

IDEIAS QUE FUNCIONAM



Penso que as vezes somos muito teóricos, vivendo em um mundo de ideias, repleto de teorias que tentam explicar ou mesmo identificar critérios para conquistarmos uma vida melhor.
Creio que uma das maneiras mais eficazes de percebermos se algo é bom para nós, é que haja funcionalidade, que sirva para melhorar a qualidade de Vida, que agrega algum valor ao nosso dia a dia.
Dessa forma resolvi postar duas situações em que tive como experiência prática e resultaram em satisfação pessoal, e de certa forma melhoraram minha vida.
A cerca de 2 anos vinha sofrendo com uma verruga em um dos dedos da minha mão esquerda e entendendo que a questão era simples, procurei esperar que o tempo fizesse o trabalho dele, mas foi em vão... algumas receitas caseiras como passar alho foram tentadas mas nada. 
Até que enfim , descobri uma indicação de que vinagre de maça era eficiente. Comecei a usar todos os dias, massageando com um algodão o local. Qual não foi minha surpresa quando, depois de algumas semanas, simplesmente a verruga desapareceu....
Apesar de ser algo bem simples, é bastante incômodo e fiquei feliz em testar algo tão natural e obter um resultado tão interessante e prático.
Então se você tiver problemas com verrugas, ao invés de ir ao médico e gastar na farmácia, experimente essa ideia prática. No meu caso funcionou.
Outra situação real que me aconteceu foi em relação a um objeto, nesse caso específico um pendrive. Havia muitos arquivos, de músicas e livros. Mas há alguns dias tive uma surpresa desagradável ao perceber que os arquivos haviam sumido, embora o pendrive acuse que os arquivos estão lá. Simplesmente ficaram invisíveis.
Pesquisando na Internet , descobri que isso é causado pela ação de um vírus mais recente específico para pendrives, que tornam os arquivos ocultos.
Depois de verificar em vários sites os procedimentos e testar alguns sem resultados práticos apareceu a solução.
Se acontecer algum dia com você, simplesmente vá em Iniciar - Executar - digite CMD  vai abrir uma tela preta ( DOS).. Então digite CD e logo após, o nome do seu pendrive ( normalmente é uma letra que fica entre parenteses).....
Feito isso, digite essas letras                 attrib -s -h -r -a /s /d e automaticamente todos os arquivos vão aparecer no seu pendrive.
Eu experimentei essa ideia e funcionou também, portanto posso dizer que é uma intervenção eficaz. 
Na vida, vale mais a funcionalidade do que muitas teorias!                          

domingo, 22 de maio de 2016

INÉRCIA!!!


A primeira Lei de Newton  ensina que todo corpo tende a permanecer em  movimento retilíneo, ou parado, salvo que alguma outra força atue sobre o mesmo. Entendemos que se um objeto estiver em repouso, ele continuará assim, até que alguém exerça uma ação que quebre sua resistência. Igualmente se temos um objeto em deslocamento, precisamos aplicar sobre esse mesmo objeto  força superior , a fim de que pare..
É fácil perceber a analogia dessa lei com a vida espiritual, pois da mesma maneira que nos objetos, há potências que operam como resistência. Nesses casos, é fundamental que  uma energia, uma Vontade  nos tire daquela morosidade e gere novos posicionamentos. Essa Potência provavelmente deve ser criada por algo externo, que possibilite um ambiente dinâmico para que motivos internos sejam despertados na ação.
De igual modo, se alguém está em projeção que o conduz a uma situação difícil na vida, como por exemplo o alcoolismo, ou o uso intensivo de drogas , será necessário estímulos externos que promovam um distanciamento da situação perigosa.
Creio que a Fé consiste em grande Virtude espiritual a ser aplicada sobre nossos comportamentos, também a Oração é estratégia poderosa que pode alavancar atitudes positivas e desacelerar padrões negativos.
Talvez a maior Energia que temos a  nos auxiliar seja o Amor... É esse sentimento que nos capacita a vencer todos os obstáculos e empoderar as ações!!!

sábado, 21 de maio de 2016

O MAL NÃO EXISTE?








Talvez uma das situações mais difíceis  com que nos defrontamos desde que estamos nesse Planeta é a questão do mal.
É  constrangedor aceitar que vivemos em um mundo criado por um Deus benevolente, Onipotente,   e  experimentemos tantas desventuras.
Epicuro ,  há séculos  se defrontou com essa situação e propôs o seguinte paradoxo:
Ou Deus pode vencer o mal mas não quer, ou quer e não pode ou não pode e não quer ou pode e quer. Então se quer e não pode, faltar-lhe-ia a onipotência, se no entanto não quer , mas pode então não existe nele bondade, se não pode e não quer perde-se ai a noção da Divindade, mas se quer e  pode,  porque não o faz?
Assim,  um dos homens que ofereceu uma resposta mais satisfatória, embora não ausente de falhas, foi Santo Agostinho. Agostinho foi um dos primeiros grandes padres da Igreja, que junto com Tomas de Aquino desenvolveu a filosofia para ampliar a teologia.
A idéia do pensador era assim: Na verdade não existe o mal enquanto substância, mas apenas o mal moral e o mal natural. O mal moral é responsabilidade humana, pelo seu pecado original, pela sua  incapacidade em usar o livre arbítrio que Deus lhe concedeu, extrapolando os limites do mesmo e incorrendo em erro. Assim em decorrência desses erros aconteceriam todos os males naturais, como enchentes, terremotos e demais  mazelas da Natureza.
Mas o mal no sentido metafísico , esse nunca existiu. O que  ocorre é que na ausência do bem, na falta de Deus, surge o mal. É como a confecção de uma aliança de ouro. No processo de composição da mesma, na sua confecção circular, sobra um espaço  um “buraco”. De fato, não existe uma substância buraco na aliança. O que falta é o ouro naquele espaço. De igual maneira, não há o mal, mas apenas a ausência do bem, o que geraria a percepção negativa
Analisando o argumento, outros filósofos perceberam am falhas, como Baley, que dizia que embora se possa argumentar que Deus não é culpado pelo mal, da mesma maneira cabe nos lembrar que se foi o Eternos quem deu o livre arbítrio ao homem e se Ele sabia que esse homem iria extrapolar no uso desse conceito,  de certa forma é culpado  do mal causado pela sua criatura.
Leibniz amplia a percepção em relação ao tema.Em sua idéia, Deus criou o melhor dos mundos possíveis, querendo dizer com isso que ao criar todas as possibilidades  a Divindade calculou matematicamente a melhor das situações em que o Universo poderia existir, e dentro dessas possibilidades teria colocado o mal como variável para equilibrar o sistema, sendo que no final ,a equação serviria para criar vantagem e não perda.
Ou seja, nós enxergamos algo como mal, porque vemos apenas em parte, não temos a visão do todo, como Deus, e esse tendo a visão do todo ,permite esse mal porque sabe que ele vai colaborar com um Bem  maior no futuro.
Esse posicionamento de Leibniz é chamado de otimismo filosófico e recebe críticas de Kant, de Voltaire e de Rosseau
Kant acredita, como agnóstico , que não existe possibilidade de compreendermos a maioria das questões metafísicas, portanto não há como falar sobre elas. Voltaire, usando como exemplo o terremoto ocorrido em Lisboa em 1775, argumenta que, de que maneira iríamos convencer aquelas pessoas que tiveram seus parentes mortos, que o ocorrido seria benéfico? Dizer que  os cães e os vermes e os ratos iriam ser alimentados com o cadáver de seus queridos, que haveria emprego para pedreiros e arquitetos.....?
Rousseau por outro lado exime Deus de qualquer culpa, afirmando que o homem é o responsável por tudo de ruim que acontece, porque rompeu com seu estado natural e através de atitudes  de alguns que se apropriaram  das riquezas , criaram as desigualdades que trouxeram tantas desgraças para a Humanidade.

Enfim, o problema do mal de certa forma continua ainda como algo que não tem uma resposta definitiva e cabe a cada um de nós formular ou buscar novas respostas adequadas ao momento em que vivemos!!! 

terça-feira, 17 de maio de 2016

A CERTEZA DAS INCERTEZAS





Quantas vezes você já ouviu  estórias , de pais ou mesmo avós que contavam que entraram trabalhar como  Officeboys nas empresas, e pouco a pouco foram ganhando espaço até chegarem a um cargo importante ou mesmo de chefia? E que igualmente trabalharam em uma única empresa pela vida inteira? No entanto, atualmente as situações parecem que não caminham nesse sentido.
A modernidade foi inaugurada, segundo os pensadores, pelo filósofo   Rene Descartes, porque ele de certa forma descolou o pensamento filosófico da idéia religiosa que  dominava a mente das pessoas na época e ai passamos a escutar o termo cartesiano,  que é um pensamento que começa , tem meio e fim... é um pensamento linear.
Então vivíamos em um mundo , basicamente linear, onde era possível planejar certas situações e passo a passo ir acompanhando os fatos, e dentro de um espaço razoável obter os resultados que plantamos .
Mas não vivemos mais nesse mundo, ou se formos mais otimistas, estamos praticamente em um grande processo de transição.
O que temos hoje em dia é uma sociedade extremamente flúidica que transfere essa velocidade de ações, de pensamentos, de fatos para todos as  dimensões do tecido social.
Família não é um conceito , como o conhecíamos a alguns anos atrás, a chamada família nuclear, onde o homem era o centro de todo o gerenciamento. Hoje temos famílias , uma grande maioria liderada pelas mães, avós, irmãs mais velhas, tias.... enfim é uma instituição totalmente transformada,
Os relacionamentos  eram  mais sólidos do que atualmente. É certo que temos que levar em conta o fato  que o feminismo mudou a maneira como a mulher se enxergava como pessoa e dentro das relações, mas a questão é que  os contatos hoje em dia são extremamente instáveis e sabemos por pesquisas que os casamentos em média tem durado 3 ou 4 anos  .
O trabalho não está diferente, haja vista que ao pegarmos a Carteira Profissional de um jovem, ali veremos diversos registros que no mínimo tem um ou dois anos de duração, e uma rotatividade muito grande.
Atualmente, quando escrevo essas linhas estamos com uma lei para ser votada no  Congresso que flexibiliza a CLT, o que deveríamos ,colocando em outras palavras, dizer que ela praticamente não existe mais,

Na década de 20 um cientista chamado   Heisenberg

cunhou um princípio que veio a ser conhecido como princípio da incerteza. Por esse postulado, ao medir um elétron era impossível saber ao mesmo tempo sua velocidade e sua posição. Teríamos assim que nos contentar em saber, ou o lugar em que se encontrava, ou a velocidade que estava.

Assim, conhecemos a incerteza, uma situação onde igualmente não podemos ter segurança e ao mesmo tempo certezas. É insuficiente e termos uma Universidade, estudos, um amor, uma família... tudo pode, de repente se desmanchar no ar....Qual a melhor atitude em momentos assim.... quais estratégias preciso ter para viver em uma sociedade onde a incerteza é a única certeza?

sábado, 14 de maio de 2016

AMOR É CHAMA SEM FUMAÇA


Falamos muito em amor, e de certa forma a maioria de nós persegue esse sentimento, afinal quem não quer ser amado?
Podemos comparar as palavras como se fossem cestos onde vamos depositando os sentidos e vão se passando os anos, e aquele conceito começa a receber os mais diversos significados e pouco a pouco se torna difícil tentar defini-lo. Da mesma forma as vezes a palavra é tão usada, tão citada que seu significado começa a ficar desgastado.
Com o amor acontece isso. Amar para muitos é significado de falta como na conversa de Sócrates e seus amigos no Banquete de Platão. Falta porque só amamos o que não temos, o que desejamos Na medida em que adquirimos o que queremos, esse amor e esse desejo se esvaem. Podemos dar o exemplo de uma criança que quer apaixonadamente um brinquedo. Enquanto não o tem, chora, demonstra toda a sua ansiedade e insatisfação a seus pais. Mas no momento em que recebe o presente, e com o passar dos dias, aquele amor vai se dissipando, e logo veremos o brinquedo jogado num canto, e assim começa a se amar outro objeto e o ciclo se mantém.
Há os que enxergam o amor como incompletude, como busca pela  outra metade, conceito esse também discutido no Banquete e que se refere ao mito dos andróginos. Nesse mito homem e mulher existiam em um mesmo corpo, mas por ira dos deuses foram separados.... assim a busca eterna pela união perdida.
Os amantes pensam o amor como união perfeita entre pensamentos, corpos, atitudes e esperanças. Um amor que se apropria do outro, que possui a alma amada e a quer somente para si.
Os religiosos acreditam no amor ao próximo, um amor que se projeta no cuidado do outro.... há ainda o amor de mãe, o amor a nossos objetos, o amor as causas políticas , as grandes amizades....
No entanto, se analisarmos de maneira mais profunda todas essas formas de amor, vamos percebendo que algumas são na verdade apegos que desenvolvemos pelas pessoas e objetos.
Esse apego , vai se tornando a cada dia mais arraigado, ao ponto de gerar emoções negativas. 
Krisnamurthi pensador e místico , em um de seus ensinamentos nos diz que o amor é uma chama sem fumaça.
Para ele, o sentimento em questão é fruto do pensamento, visto que o pensamento é material, está situado no tempo e o amor, está fora do tempo não é produto do cérebro, que é um mecanismo que registra  sensações e o amor pregado por Krisnamurth não é uma sensação, mas um estado de Ser, que não pode ser adquirido, nem mesmo cultivado... simplesmente nasce em nós. 
Todavia, estamos acostumados a ter apenas a fumaça... ciumes, apego, insatisfação, ódio, e nossas mentes estão repletas dessas emoções.
Amor é como uma flor plantada a beira do caminho.... ela não pensa em oferecer aquele aroma apenas a algumas pessoas que passam por ali... seu perfume é para todos!!!!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O QUINTO ELEMENTO




Olhando o mundo atualmente, verificamos que aparentemente, o caos, a desordem, a desarmonia e o desamor imperam, apesar de saber que existem boas práticas em todos os lugares 
 Talvez essa visão seja fruto de uma imersão a que somos expostos pela mídia de notícias de roubos, estupros, assassinatos e corrupção.
Sabemos  que a história da Humanidade não é muito diferente. Desde o aparecimento do homem no Planeta temos presenciado momentos de intensa violência, no entanto não havia a mídia  impressa e as redes sociais para nos inteirar dessa brutalidade.
Sempre houve teorias sobre essa questão das origens dessa situação caótica em que o mundo está inserido, talvez a mais conhecida seja o paradigma cristão, que ensina que pecamos e que esse pecado gerou uma disfunção muito grande em tudo, seja nas sociedades que criamos como na própria Natureza. Como ensina o primeiro capitulo do Livro  de Romanos , Novo Testamento, não só o homem se corrompeu... a própria Natureza está a cada dia se deteriorando.
Há no entanto outras visões. Dias atrás assisti a um filme , se não me engano de 1997, intitulado, o Quinto Elemento. No enredo é retratado a história de quatro pedras que são deixadas na Terra e representam as raízes da formação do Universo: Uma era formada pelo elemento Terra, a outra pelo elemento água, outra pelo elemento fogo e finalmente a outra pelo elemento ar. Essas pedras deveriam ser protegidas pelos humanos, da influência de seres com intenções malignas. Havia uma personagem que daria a ativação a essas pedras e livraria o mundo das forças do Mal restaurando o equilíbrio perdido. Era representado por uma bela jovem, e pura. 
A película em questão nos remete, a uma pensamento defendido por um filósofo pré socrático que viveu entre os séculos VII e VI A.C, e seu nome era Empédocles.
A filosofia de Empédocles tentava conciliar as ideias   de Heráclito que dizia que tudo se transformava ( o amor) contra Parmênides que dizia que tudo era estático ( os quatro elementos) Por essa teoria havia 4 materiais: terra, água, fogo e ar. Eles, ao se misturarem se transformariam em todas as coisas que conhecemos. Mas para que houvesse ordem e harmonia era preciso um quinto elemento. O amor. Era através dele que haveria o equilíbrio entre todas as coisas. Mas havia também uma força contrária, a discórdia. Quando ela preponderava sobre o mundo haveria caos e desordem.
Talvez  , na existência atual nos distraímos ao guardar as nossas raízes, os nossos princípios e eles caíram em mãos erradas. Assim, as forças da discórdia transformaram nossos princípios e valores em grande caos e ´confusão. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A VIDA FORA DO LUGAR



Ainda hoje ouvimos falar que devemos descobrir nossa missão, e depois que descobrirmos seremos felizes pois estaremos realizando aquilo pelo qual fomos criados.
Esse tipo de pensamento é muito comum em livros de auto ajuda que além dessa proposta trazem outros clichês como aquele “ siga o seu coração”
De onde virá essa idéia de que cada ser humano tem um lugar, tem um encaixe?
Talvez possamos viajar ao passado até a época de Aristóteles filósofo grego, que foi um dos maiores pensadores de nossa história.

Para ele todos  temos um lugar, uma missão e uma finalidade nesse mundo, e por isso precisamos descobrir esse lugar e nos “encaixar”
A idéia de Aristóteles é que vivíamos dentro de um Kosmos, um Universo finito , e perfeito.
No entanto essa concepção grega não  era para todos  , mas apenas para os bens nascidos, por isso  diz-se que era uma idéia aristocrática, porque no ideal grego, não somos todos iguais, muito pelo contrário, somente alguns teriam a virtude de receber os melhores dons.
Essa idéia de igualdade no sentido de escolher o que vou fazer com aquilo que a Natureza me dá, veio com o Cristianismo
Nessa nova visão de mundo, não há mais lugar para a virtude , enquanto busca do homem pela excelência em si através da Natureza, mas pelo contrário, a nova regra dizia que o mais importante era a vontade, a fé, a individualidade de cada um de ao tomar atitudes modificar a sua existência. Então já não há um homem que se encaixa em um único modelo, mas a possibilidade existencial desse homem ter muitas opções em ser, embora saibamos que apesar dessa liberdade existencial, isso não acontecia em relação a política e a área social.
Na atualidade, podemos perceber muitos discursos onde se valorizam os talentos: os mais inteligentes, os mais fortes os mais belos. Isso está presente em nossa  sociedade ... No entanto também ha espaço não apenas para aqueles que tem talento, mas os carregadores de piano,  pessoas que se superam através de seu esforço e de seu trabalho.
Pelo que eu entendo da Modernidade, a vida não teria uma finalidade, um sentido definido, mas nós pouco a pouco com nossas atitudes, com as habilidades que vamos desenvolvendo e com nossa força de vontade poderemos moldar uma existência possível, onde não conseguiremos ser felizes sempre, mas com certeza teremos um equilíbrio entre angústias e momentos de alegria.!!! Nesse sentido a vida está fora do lugar, porque na verdade ela nunca  esteve em um  lugar, portando está em sua posição ideal!!!

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