segunda-feira, 8 de março de 2021

CRÔNICA - A PÁSCOA

 PÁSCOA


(texto de Luis Fernando Veríssimo)

- Papai, o que é Páscoa?

- Ora, Páscoa é... Bem...é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal?

-É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

-É, ressurreição.

-Martaaaaa , vem cá !

- Sim?

- Explica para esse garoto o que é ressurreição para eu poder ler o meu Jornal.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado.

Ele Ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu ?

- Mais ou menos...

-Mamãe, Jesus era um coelho?

- O que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho!

- Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado!

-Jorgeeeeeee, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos.

Até parece que não lhe demos uma educação cristã!...

Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola?

Deus que me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!

- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?

-É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no Catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

-É sim.

- E Minas Gerais?

- Sacrilégio!!!

-É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?

- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito.

Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.

- Coelho bota ovo?

- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era... Era melhor, Sim... Ou então urubu.

- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né?

- Que dia ele morreu?

- Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.

- Que dia e que mês?

- (???) Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.

- Um dia depois!

- Não, três dias depois.

- Então morreu na Quarta-feira.

- Não, morreu na Sexta-feira Santa... Ou terá sido na Quarta-feira de cinzas?

- Ah, garoto, vê se não me confunde ! Morreu na Sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!

Como? Pergunte à sua professora de catecismo!

- Papai, porque amarraram um Monte de bonecos de pano lá na rua?

-É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas.

Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no Sábado?

- Claro que não! Se Jesus morreu na Sexta!!!

- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?

- Uiiii...

- Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba Sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?

- Ai, coitada!

- Coitada de quem?

- Da sua professora de catecismo!

Luiz Fernando Veríssimo.



OBS. O simbolismo da páscoa está intimamente ligado ao paganismo e as tradições esotéricas, o hábito de se presentear com Ovos é derivado de uma divindade feminina da fertilidade, cuja qual representava o inicio da primavera no hemisfério Norte, portanto é um dos Sabaths. O coelho também é derivado desse simbolismo, já que reza a lenda que é o primeiro animal a vermos logo no inicio da primavera, além de se reproduzir muito rapidamente (reforçando a representação da fertilidade da primavera). O fato da data ser sempre comemorada em um domingo, está relacionado ao retorno (ou ressurreição) do Sol, que estava “adormecido” no inverno, lembrando que domingo é o dia consagrado ao Astro rei em diversas culturas (Sunday do inglês, Sonntag do Alemão e dia do senhor no Latim Dominicus. Muito provavelmente esse mito tenha sido incorporado pela igreja Romana, junto a crença na ressurreição do seu salvador Judeu.

segunda-feira, 1 de março de 2021

A LIÇÃO DA BORBOLETA

 

A LIÇÃO DA BORBOLETA

    Um homem, certo dia, viu surgir uma pequena abertura num casulo. Sentou-se perto do local onde o casulo se apoiava e ficou a observar o que iria acontecer, como é que a lagarta conseguiria sair por um orifício tão miúdo. Mas logo lhe pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso, como se tivesse feito todo o esforço possível e agora não conseguisse mais prosseguir. Ele resolveu então ajudá-la: pegou uma tesoura e rompeu o restante do casulo. A borboleta pôde sair com toda a facilidade… mas seu corpo estava murcho; além disso, era pequena e tinha as asas amassadas.

    O homem continuou a observá-la porque esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se estendessem para serem capazes de suportar o corpo que iria se firmar a tempo. Nada aconteceu! Na verdade a borboleta passou o restante de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Nunca foi capaz de voar.

    O que o homem em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluído do corpo daquele pequenino inseto circulasse até suas asas para que ela ficasse pronta para voar assim que se livrasse daquele invólucro.

    Algumas vezes o esforço é justamente aquilo de que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através da existência sem quaisquer obstáculos, Ele nos condenaria a uma vida atrofiada. Não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nunca poderíamos alçar voo.

A Lição da Borboleta

O LIXO - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

 

O Lixo - Luis Fernando Veríssimo

Gosto muito de Luis Fernando Veríssimo, como escritor, humorista e leio as sua crónicas sempre a sorrir, senão a gargalhar. Costumava acompanhá-las no Expresso e tenho alguns livros que reunem diversas crónicas e histórias que satirizam o quotidiano. Julgo que o humor é uma forma sublime de entendimento.
Aqui fica um texto retirado do seu livro "O analista de Bagé", apenas para partilhar uma leitura.

«O Lixo -
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.- No seu lixo ou no meu?»


In: http://portalliteral.terra.com.br/verissimo/porelemesmo/porelemesmo_lixo.shtml?porelemesmo

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O PEQUENO PRÍNCIPE - Antoine de Saint Exupéry

 

Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma figura magnífica num livro sobre a floresta virgem, chamado Histórias vividas. Representava uma jiboia engolindo uma fera. Esta é a cópia do desenho.

O livro dizia: "As jiboias engolem a presa inteira, sem mastigar. Depois, não conseguem se mexer e ficam dormindo durante os seis meses da digestão".

Então pensei muito nas aventuras da selva e, com um lápis de cor, consegui traçar meu primeiro desenho. Meu desenho número 1. Era deste jeito:

Mostrei minha obra-prima à gente grande, perguntando se meu desenho lhes dava medo.

Responderam:

- Por que um chapéu daria medo?

Meu desenho não representava nenhum chapéu. Representava uma jiboia digerindo um elefante. Então desenhei a jiboia por dentro, para que a gente grande pudesse entender. Gente grande sempre precisa de explicações. Meu desenho número 2 era assim:


A gente grande me aconselhou a deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas e a me interessar mais por geografia, história, aritmética e gramática. Foi assim que, com a idade de seis anos, abandonei uma fabulosa carreira de pintor. Fui desencorajado pelo insucesso de meu desenho número 1 e de meu desenho número 2. Gente grande nunca entende nada sozinha, e é cansativo para as crianças ficar o tempo todo dando explicações...

Por isso, precisei escolher outra profissão e aprendi a pilotar aviões. Voei praticamente o mundo inteiro. E a geografia, é verdade, me serviu muito. Num relance eu sabia distinguir a China do Arizona. É muito útil para quem fica perdido de noite.

Assim, durante a vida toda, entrei em contato com uma quantidade enorme de gente séria. Convivi muito com gente grande. Pude vê-la bem de perto. Isso não melhorou muito minha opinião a seu respeito. Quando conhecia alguma pessoa adulta que me parecesse um pouco lúcida, fazia com ela o teste do meu desenho número 1, que eu ainda guardava. Queria saber se ela era de fato inteligente. Mas sempre me respondiam:

- É um chapéu.

Então eu não lhe falava de jiboias, nem de florestas virgens, nem de estrelas. Punha-me onde ela pudesse me alcançar. Falava de bridge, golfe, política e gravatas. E a pessoa adulta ficava bem contente por conhecer um homem tão sensato...




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

CRÔNICA - ELA - DE LUIS FERNANDO VERÍSSIMO.

 Ainda me lembro do dia em que ela chegou lá em casa. Tão pequenininha! Foi uma festa. Botamos ela num quartinho dos fundos. Nosso filho – naquele tempo só tinha o mais velho – ficou maravilhado com ela.

 Era um custo tirá-lo da frente dela para ir dormir. Combinamos que ele só poderia ir para o quarto dos fundos depois de fazer todas as lições. - Certo, certo. - Eu não ligava muito para ela. Só para ver um futebol ou política. Naquele tempo, tinha política. Minha mulher também não via muito. Um programa humorístico, de vez em quando. Noites cariocas...

 Lembra de Noites Cariocas? - Lembro vagamente. O senhor vai querer mais alguma coisa? - E me serve mais um destes. Depois decidimos que ela podia ficar na copa. Aí ela já estava mais crescidinha. Jantávamos com ela ligada, porque tinha um programa que o garoto não queria perder. Capitão Qualquer Coisa. A empregada também gostava de dar uma espiada. José Roberto Kely. Não tinha um José Roberto Kely? - Não me lembro bem.

 O senhor não me leva a mal, mas não posso servir mais nada depois deste. Vamos fechar. - Minha mulher nem sonhava em botar ela na sala. Arruinaria toda a decoração. Nessa época já tinha nascido o nosso segundo filho e ele só ficava quieto, para comer, com ela ligada. Quer dizer, aos poucos ela foi afetando os hábitos da casa. E então surgiu um personagem novo nas nossas casas que iria mudar tudo. Sabe quem foi? - Quem? - O Sheik de Agadir. Eu, se quisesse, poderia processar o Sheik de Agadir. Ele arruinou o meu lar. - Certo. Vai querer a conta? - Minha mulher se apaixonou pelo Sheik de Agadir.

 Por causa dele, decidimos que ela poderia ir para a sala de visitas. Desde que ficasse num canto, escondida, e só aparecesse quando estivesse ligada. Nós tínhamos uma vida social intensa. Sempre iam visitas lá em casa. Também saíamos muito. Cinema, Teatro, jantar fora. Eu continuava só vendo futebol e notícia. Mas minha mulher estava sucumbindo depois do Sheik de Agadir, não queria perder nenhuma novela. - Certo. Aqui está a sua conta. Infelizmente temos que fechar o bar. - Eu não quero a conta. Quero outra bebida. Só mais uma. - Está bem… Só mais uma. - Nosso filho menor, o que nasceu depois do Sheik de Agadir, não saía de frente dela.

 Foi praticamente criado por ela. É mais apegado à ela do que a própria mãe. Quando a mãe briga com ele, ele corre pra perto dela pra se proteger. Mas onde é que eu estava? Nas novelas. Minha mulher sucumbiu às novelas. Não queria mais sair de casa. Quando chegava visita, ela fazia cara feia. E as crianças, claro só faltavam bater em visita que chegasse em horário nobre. Ninguém mais conversava dentro de casa. Todo mundo de olho grudado nela. E então aconteceu outra coisa fatal. Se arrependimento matasse… - Termine a sua bebida, por favor. Temos que fechar. - Foi a copa do mundo. A de 74. Decidi que para as transmissões da copa do mundo ela deveria ser bem maior. E colorida. Foi a minha ruína. Perdemos a copa, mas ela continua lá, no meio da sala. Gigantesca. É o móvel mais importante da casa. Minha mulher mudou a decoração da casa para combinar com ela. Antigamente ela ficava na copa para acompanhar o jantar. 

Agora todos jantam na sala para acompanhá-la. - Aqui está a conta. - E, então, aconteceu o pior. Foi ontem, hora do Dancin’ Days e bateram na porta. Visitas. Ninguém se mexeu. Falei para a empregada abrir a porta, mas ela fez “Shhh!” sem tirar os olhos da novela. Mandei os filhos, um por um, abrirem a porta, mas eles nem me responderam. Comecei a me levantar. E então todos pularam em cima de mim. Sentaram no meu peito. Quando comecei a protestar, abafaram o meu rosto com a almofada cor de tijolo que minha mulher comprou para combinar com a maquiagem da Júlia. Só na hora do comercial, consegui recuperar o ar e aí sentenciei, apontando para ela ali, impávida no meio da sala: “Ou ela, ou eu!”. O silêncio foi terrível. - Está bem… mas agora vá para casa que precisamos fechar. Já está quase clareando o dia… - Mais tarde, depois da Sessão Coruja, quando todos estavam dormindo, entrei na sala, pé ante pé. Com a chave de parafuso na mão. Meu plano era atacá-la por trás, abri-la e retirar uma válvula qualquer. Não iria adiantar muita coisa, eu sei. Eles chamariam um técnico às pressas. Mas era um gesto simbólico. Ela precisava saber quem é que mandava dentro de casa.

 Precisava saber que alguém não se entregava completamente a ela, que alguém resistia. E então, quando me preparava para soltar o primeiro parafuso, ouvi a sua voz. “Se tocar em mim você morre”. Assim com toda a clareza. “Se tocar em mim você morre”. Uma voz feminina, mas autoritária, dura. Tremi. Ela podia estar blefando, mas podia não estar. Agi depressa. Dei um chute no fio, desligando-a da tomada e pulei para longe antes que ela revidasse.

 Durante alguns minutos, nada aconteceu. Então ela falou outra vez. “Se não me ligar outra vez em um minuto, você vai se arrepender”. Eu não tinha alternativa. Conhecia o seu poder. Ela chegara lá em casa pequenininha e aos poucos foi crescendo e tomando conta. Passiva, humilde, obediente. E vencera. Agora chegara a hora da conquista definitiva. Eu era o único empecilho à sua dominação completa. Só esperava um pretexto para me eliminar com um raio caótico. Ainda tentei parlamentar. Pedi que ela poupasse a minha vida. Perguntei o que ela queria, afinal. Nada. Só o que ela disse foi “Você tem 30 segundos”. - Muito bem. Mas preciso fechar. Vá para casa. - Não posso. - Por quê? - Ela me proibiu de voltar lá. Luí

Mitologia grega: Prometeu e a punição de Zeus

 


Prometeu e a criação do homem
Prometeu e a criação do homem

No começo havia apenas o vazio e o Caos, e nele morava Nyx, um pássaro de asas negras. Esse pássaro pôs um ovo de ouro, de onde surgiu Eros, o deus do amor. Uma parte da casca subiu e se tornou o céu e a outra se tornou a Terra.

Eros então nomeou o céu de Urano e a Terra de Gaia. Depois, fez eles se apaixonarem.

Urano e Gaia tiveram muitos filhos, tanto deuses quanto monstros. Um deles, chamado Cronos, matou seu pai e tomou o posto como governante, e para que ele não fosse traído também, sempre engolia seus filhos ao nascerem.

Quando seu sexto filho nasceu, sua mãe o escondeu para que ele não tivesse o mesmo destino. Esse filho era Zeus, que quando cresceu conseguiu enganar seu pai e salvar seus irmãos. Assim, Zeus se tornou líder dos Deuses.

Mas ainda não haviam homens e animais na Terra. Então Zeus pediu à seus filhos Prometeu e Epimeteu que fossem à Terra, criassem esses seres e dessem um presente a cada um deles.

Prometeu criou os homens à imagem dos deuses, enquanto Epimeteu trabalhou nos animais. Epimeteu terminou primeiro a sua obra, dando um presente a cada um dos animais, e quando Prometeu terminou sua criação, já não havia presentes para dar ao homem.

Por isso, Prometeu decidiu roubar o fogo dos deuses e dar aos homens. Zeus ficou furioso quando descobriu, e além de castigar seu filho com o sofrimento eterno, resolveu punir também os homens.

Para isso, ele criou uma mulher muito bela chamada Pandora, e a fez esposa de Epimeteu. Zeus deu à Pandora uma caixa que nunca deveria ser aberta, mas movida pela curiosidade, ela o fez.

Quando Pandora abriu a caixa, dela saíram todos os males que assolam a humanidade até hoje, como a dor, a doença e a ganância.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

O PROBLEMA ECOLÓGICO

 O problema ecológico

Se uma nave extraterrestre invadisse o espaço aéreo da Terra, com certeza seus tripulantes diriam que neste planeta não habita uma civilização inteligente, tamanho é o grau de destruição dos recursos naturais. Essas são palavras de um renomado cientista americano. Apesar dos avanços obtidos, a humanidade ainda não descobriu os valores fundamentais da existência. O que chamamos orgulhosamente de civilização nada mais é do que uma agressão às coisas naturais. A grosso modo, a tal civilização significa a devastação das florestas, a poluição dos rios, o envenenamento das terras e a deterioração da qualidade do ar. O que chamamos de progresso não passa de uma degradação deliberada e sistemática que o homem vem promovendo há muito tempo, uma autêntica guerra contra a natureza.

FESTA JUNINA!

Ontem fui ao arraial de Lajeado, fazia um tempo que não ia ver as quadrilhas dançarem nas festas juninas. O povo do norte e nordeste brasile...