sábado, 18 de março de 2017

ANTIFRÁGIL

Um dos temas mais comentados na mídia recentemente é o conceito de resiliência. É uma ideia retirada da Física, pois está relacionada a  como alguns corpos resistem a adversidades sem no entanto perder suas propriedades. 
Trazendo para a psiquê humana, podemos dizer que resiliência é a capacidade que todo ser humano tem de conseguir superar grandes adversidades, e assim mesmo se manter firmes . 
Assim somos ensinados e orientados a resistir, a criar em nós mecanismos que fortalecem nosso sistema mental de maneira a nos tornarmos capazes de enfrentar os problemas e as crises. Usam com frequência a frase do filósofo Nietzsche " O que não me mata, me torna mais forte"
De outro lado temos a noção de frágil, como por exemplo um vaso de porcelana, onde qualquer vento, ou um toque desproporcional, fará com que o mesmo venha ao chão e se quebre em muitos pedaços.
Assim, qual seria o contrário de frágil? Alguns poderiam argumentar: Robusto, resiliente.
Para Nassim Taleb escritor libanês que ficou milionário investindo em ações na Bolsa e que atualmente trabalha como operador de mercados, a história não é bem essa.
Para esse autor, o contrário de frágil não seria robusto ou resiliente, pois apesar de entender que esses sistemas demonstram resistência em relação a danos a aleatoriedade e a volatilidade. são sistemas que não se atualizam, não melhoram com as crises. Simplesmente resistem.
A definição para aquilo que é capaz de superar-se, desenvolver-se e aprender com as dificuldades é a antifragilidade, o antifrágil.
Taleb cita exemplos de antifragilidade como o sistema imunológico. Sabemos que ao ser atacado o corpo humano recruta milhões de anticorpos que tem a função de defesa contra os agentes infecciosos. Nesse combate muitos anticorpos morrem, mas acontece algo surpreendente. Aqueles que sobrevivem conseguem aprender com o vírus e a bactéria e aprimoram as respostas de todo o sistema. Em uma próxima invasão a memória  celular apreendida , conseguirá dar respostas muito mais positivas.
Podemos citar também como sistema antifrágil a seleção natural, a lei da Evolução na Natureza. Por tentativa e erro, a seleção natural vai ajustando os organismo e aprendendo as melhores formas de se gerar e perpetuar a Vida
Sistemas de aviação são também antifrágil, porque cada vez que um avião cai , melhoram-se os processos e os vôos vão ficando cada vez mais seguros.
Para o escritor nossa sociedade é frágil e continua a investir nessa fragilidade tentando investigar e planejar tudo, como se fosse possível compreender a aleatoriedade e a volatilidade. Na visão do autor isso não é possível e o máximo que podemos fazer é tentar criar mecanismos tanto na nossa sociedade como individualmente que atualizem forças e provoquem mudanças positivas a cada encontro com a adversidade e acaso.

Assim, a grande vantagem não é ser somente resiliente, ou robusto, mas sim ser antifrágil, e reverter as adversidades a nosso favor!

VIVENDO DE ACASOS!

Não sei se vocês sentem o mesmo, mas por diversas vezes "algo dentro de mim intui" que nem tudo é do jeito que acreditamos. 
Falando de outra maneira, apesar de percebermos que nosso ambiente é organizado, tem certa ordem, que vivemos em sociedade, vamos a escola, aprendemos a ser racionais, a 
planejar  oque queremos fazer, ainda assim há momentos em que parece que a equação não fecha.
A maioria dos seres humanos acredita em um mundo DETERMINISTA e isso fica claro quando pesquisamos e as pesquisas nos informam que mais de  2 bilhões  creem em um Deus que comanda o Universo, além de 1,6 milhões de muçulmanos e 99 milhões de indianos com suas crenças diferentes mas também deterministas.
Mas eu não me refiro a forças espirituais a deuses comandando nosso mundo ou ao destino. Prefiro dizer que seria o ACASO. Mas um acaso que tem leis próprias, e bem consistentes e que de certa forma rearranja as situações de modo a criar os eventos e fatos desse mundo.
Alguns poderiam ponderar que então nesse caso, eu apenas mudei o nome daquilo que acredito , que não sendo um Deus, ou o destino seria o ACASO e que para as situações e eventos aconteceram por força e obra desse acaso, essa mesma força teria que ter os mesmos poderes que o Deus cristão.
Talvez seja esse o argumento bastante utilizado por muitos no que tange a questão da criação do nosso mundo. Para os cientistas , foi assim que aconteceu a formação do Universo e a Vida. ACASO.  Seria como colocar açúcar, ovo, farinha, leite, fermento dentro de um recipiente, colocar no porta-malas do carro,, sair dar uma volta e quando abrirmos a porta, o bolo terá se formado?
No entanto ,podemos observar que a própria formação da Vida, segue regras ditadas pela Natureza. São regras de tentativa e erro. Uma das regras mais conhecidas é a SELEÇÃO NATURAL. Por essa lei entendemos que a Natureza faz seus ensaios e diante de tentativas e erros vai equilibrando o que dá certo e descartando o que dá errado, chegando a determinado momento em que  consiga sua melhor performance, até que dada situações de ambiente e adversidades, recomecem todo o processo.
É claro que existem evidências bem documentadas da atuação da SELEÇÃO NATURAL  o que a torna uma teoria cientifica consolidada, e portanto possível de ser usada como argumento em prol de ideias como a formação da vida por tentativa e erro, por melhorias constantes até  o seu melhor modelo.
O mesmo não podemos dizer da ideia determinista de Deus, ou do destino ,criando a realidade. Nessa posição o que nos resta é a Fé, a crença de que aconteceu de acordo como os registros nos livros sagrados de cada religião afirma. Acredito que a melhor maneira de se conviver com essas dualidades é manter um pensamento por hipóteses, não ideias dogmáticas, deixando em aberto o que seria o CONHECIMENTO DO QUE REALMENTE OCORRE. 



HÁ DE SE CUIDAR DO BROTO!

" Há de se cuidar do broto, pra que a vida, nos dê flor e fruto" Esse é um trecho de uma das músicas mais lindas, muito executadas na década de 80.
Vivíamos um momento importante no País onde uma ditadura de mais de 20 anos , havia deformado a vida política e social da Nação. Estava na hora de mudar, de virar a página e a sociedade civil, alinhada com políticos de uma índole menos primitiva  e predadora que a atual, buscava novas respostas e soluções. 
Não conseguimos as eleições diretas, inclusive o movimento das Diretas já fracassou na prática, embora tenha levado milhões as ruas. 
 E assim tivemos que suportar Sarney e Collor antes de, movidos pelo sonho e esperança, vottarmos em um Presidente que realmente representava os anseios do povo, visto ele, ser do povo. 
Era assim que a maioria de nós pensávamos e foi com muita tristeza perceber que depois de quase 15 anos de governo petista, nossos sonhos foram estraçalhados.
Houve algumas mudanças, o salário mínimo cresceu, pessoas abaixo da linha de pobreza conseguiram entrar no mercado de consumo, as políticas afirmativas cresceram, foram criados programas sociais que beneficiaram famílias pobres, na educação muitos estudantes foram beneficiados com a criação do FIES E DO PROUNI. Iniciou-se o projeto da Transposição do São Francisco, para levar água para as famílias de regiões da seca. Também não podemos deixar de lembrar que nos anos onde LULA governou, favorecido por um ambiente econômico internacional tranquilo, a inflação subiu pouco, o País cresceu, embora timidamente.
No entanto as grandes questões do País permaneceram intocáveis. Reformas importantes como a política, a Fiscal e da Previdência foram empurradas com a barriga. A Infraestrutura do País em relação a portos, estradas, ferrovias e hidrovias pouco se desenvolveu. A economia , apesar de apresentar um equilíbrio permanecia com os mesmos vícios com juros altíssimos, gasto excessivo do governo, impostos demais, enfim velhos problemas que foram pouco "tocados" na administração petista.
O dragão da inflação fora domado, já na época do Plano Real, mas um outro monstro muito mais cruel estava surgindo e mostrando suas garras: A CORRUPÇAO.
Hoje, percebemos que assim como Milton Nascimento cantava nos anos 80, deixamos de cuidar do BROTO. E esse broto simboliza a tênue democracia em que fomos inseridos naquele meio de década. 
Churchil primeiro ministro inglês dizia que " a democracia é um dos piores regimes  de governo, excetuando-se todos os outros. " Ou seja, é o que temos de menos mal, o mal menor, e por isso precisamos cuidar desse broto, dessa democracia frágil, porque há regimes piores. O que se percebe é que a sociedade como um todo participa muito pouco e que nos tornamos individualistas, cada um por si. De outro lado, entende-se a desilusão do povo, deixando de votar e inclusive não participando por perceber que essa participação é pouco eficiente. Mesmo entendendo que esses comportamentos são totalmente aceitáveis e previsíveis, precisamos insistir, renovar nossas forças e continuar tentando insistindo porque um dia chegamos lá!