domingo, 8 de janeiro de 2017

UM NOVO HOMEM

UM NOVO HOMEM!










 Por muito tempo tive  curiosidade em ler Nietzsche, afinal sempre foi um filósofo aclamado por suas contestações, sua maneira ácida de criticar a filosofia e principalmente a religião. E como aos 20 anos eu vivia uma crise religiosa, comecei a ler alguns trechos do filósofo. Se bem, que antes de Nietzsche eu me deparei com Schopenhauer lendo seu livro mais famoso O mundo como Vontade e Representação. A filosofia dele era interessante, mas como já tinha lido algo a respeito a achei extremamente pessimista, e entendi muito pouco realmente o que ele queria passar. Só muitos anos mais tarde, voltei ao assunto e compreendi coisas que na época não atentei.
Nietzsche não foi diferente, antes de começar a ler seus escritos ouvia falar de seu extremo niilismo, de sua crítica ácida contra o Cristianismo. E assim, já iniciei sua leitura por um viés negativo, e confesso que bem pouco tempo ainda via o filósofo como "perigoso" , ou seja, que as pessoas não poderiam ler suas ideias sem uma boa estrutura psicológica.
No entanto,  meses atrás me deparei com alguns vídeos no Youtube de uma filosofa da Usp Scarlett Merton, e nesses vídeos a Professora da Usp delineia um Nietzsche bem diferente, enxergando suas ideias por uma outra perspectiva. Confesso que a partir daí, passei a olhar com outros olhos a maneira de pensar do mesmo.
Então Nietzsche não era apenas uma dinamite, um martelador e destruidor de ídolos , conceitos e valores... ele também tinha uma proposta diante do caos que era esse mundo. Afinal, quebrar, destruir, é fácil... difícil é propor soluções, colar o que está quebrado.
O filósofo em seus escritos procura através do método genealógico entender de onde surgem os valores bom e mau. Percebe ao estudar as diversas culturas humanas, que o valor Bom é próprio dos nobres senhores, significando Força, coragem, potência.... por outro lado mau, seria o contrário: a fraqueza, a falta de potência de agir, próprio dos escravos.
Já na ideia dos escravos, Bom, era o humilde, o fraco, o frágil e assim eram os escravos, e mau eram aqueles fortes, impiedosos senhores que queriam destrui-los.
Dessa maneira Nietzsche entende que os valores não foram criados por um Deus, mas por pessoas comuns, e que assim poderiam ser recriados.
Por isso entende é preciso trans valorar, criar novos valores que tragam em seu bojo um novo Homem. É ai que se cristaliza sua ideia de Super Homem, não um super herói como nas histórias em quadrinhos, com poderes sobrenaturais, mas um homem comum, mas nobre, aristocrático, Forte, corajoso, que não traga em si as deformidades dos valores ocidentais que por conta de algumas filosofias como o platonismo, Sócrates e depois o Cristianismo corromperam essa Força no Homem.
É por isso a crítica feroz que ele faz contra o platonismo, contra Sócrates e principalmente contra o Cristianismo.
Para ele, Platão ao criar dois mundos e privilegiar o mundo das ideias em relação ao mundo dos sentidos, nega a Vida como ela é. Assim também Sócrates com a subjetividade humana, com os valores morais e principalmente a vertente cristã, o platonismo dos pobres, que ao enaltecer o fraco, o humilde, o perdedor e escravo subverte o verdadeiro valor da vida.
Era preciso pois mudar tudo isso, era preciso resgatar o homem do escombro dessas filosofias e essa era a missão dele.
Assim, determinado os motivos que levam a sociedade ocidental ao declínio, o filósofo propõem que pensemos  em outros moldes, criando um novo ser humano. E esse seria o Ubermensch, o Super Homem, o homem que cria seus próprios valores, valores alicerçados na Vida, nessa vida do aqui e agora. Junto com a ideia de Super Homem Nietzsche também agrega o sentido do amor fati, ou seja de que é preciso abraçar essa vida aqui que estamos a viver, em todos o seu alcance, em seus bons e maus momentos, na sua grandiosidade e na sua tragédia. Podemos também citar a Vontade de potência essa ideia que ensina que existe uma intensa luta, em tudo na Natureza, desde o nível maior até o mais ínfimo. Até mesmo, dentro de nós, cada célula luta , compete com as outras para sobreviver, para ter a precedência. A teoria de forças de Nietzsche pressupõem que somos formados por conjuntos de instintos, módulos, e que a cada minuto esses módulos se sobrepõem, numa intensa luta por se afirmar.
É claro que não podemos esquecer do Eterno retorno, que poderíamos concluir que criam a ética do comportamento da filosofia do autor. Eterno retorno seria viver, na consciência de que tudo voltaria a se repetir, coisas boas e coisas ruis, momentos maravilhosos e tragédias. Se assim for, e estou consciente disso, preciso fazer a cada minuto o melhor de mim mesmo, pois sei que invariavelmente eu mesmo sou responsável por tudo que irei repetir eternamente.
Assim, o filósofo propõem um novo mundo, uma nova sociedade através de pessoas maduras, fortes, que criem valores fortes e assim sustentem o mundo e a sociedade. Com esses novos valores que darão ênfase a Vida aqui e agora é possível então abraçar as contingências, as certezas e tudo que vier, vivendo de forma responsável entendendo que tudo o que  acontecer e  se repetir foi fruto de minha consciência, de minhas escolhas e de minhas atitudes!

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