sábado, 28 de janeiro de 2017

UM CAMINHO EM OITO ATITUDES




Viver nesse mundo exige grande discernimento para tentar compreender o que podemos ou não levar a sério no quesito desenvolvimento pessoal. Há muitas teorias, milhares de livros de autoajuda, diversas religiões, todas em sua maioria tentando te convencer que tem as respostas para suas dúvidas e anseios.
Particularmente conheço bastante o Cristianismo, e em seus escritos temos igualmente o mesmo processo de "fisgar" o ser humano para sua maneira de ser e modelo de mundo.
Procuro "navegar" em diversas formas de enxergar a existência, sem me ater especificamente a nenhuma delas. Entendo, que podemos usar os diversos ensinamentos como ferramentas de crescimento pessoal, e esse processo de não se ater a nada, nos dá mais flexibilidade diante de questões importantes da vida.
Gosto particularmente de um conceito budista chamado o Caminho Óctuplo. Caminho, porque processo, é óctuplo no sentido em que entendo, pois não sou versado na doutrina budista, tendo apenas uma formação básica que adquiri através de leituras e pesquisas na WEB, que são necessárias oito atitudes ou princípios a fim de que consigamos uma forma equilibrada de existência.
A primeira atitude, é COMPREENSÃO CORRETA e a partir disso percebemos a importância em termos uma visão e uma percepção clara do mundo, das idéias, em entender o que estamos vendo. E esse entendimento passa pela compreensão que em um primeiro momento temos a sensação das coisas, que nos são passadas pelos nossos cinco sentidos . Já ai com certeza ocorrem modificações nessas sensações, que depois são percebidas e organizadas pela faculdade de PERCEPÇÃO. A percepção organizará todas essas sensações através de filtros, que são nossas crenças, nossos valores e a partir dai o processo se refina, sendo essas informações enviadas a diversas áreas cerebrais a fim de serem processadas e a partir daí consigamos criar um pensamento.
E a segunda atitude, é o PENSAMENTO CORRETO. Posto que eu compreenda a maneira como são formadas as sensações, percepções, os diversos filtros e processamentos, esse se percebe ,construção de uma série de fatores e que ele não é exatamente a realidade do mundo, mas representação daquilo que o cérebro acredita ser a Vida. Essa compreensão forma um pensamento correto, alinhado com a certeza de suas limitações e de suas capacidades.
Adentrando pelo caminho,, temos por conseguinte uma FALA CORRETA.
Na medida que entendemos do que são formados os pensamentos e sua importância para as nossa vidas, sabemos que a fala estará adequada aquilo que entendemos ser a maneira correta de se expressar, pois acreditamos que o pensamento é a expressão em imagens  de nossas percepções e sendo essas imagens  adequadas a tudo aquilo que processamos, logo nossa fala estará alinhada dentro de todo o processo.

Entendemos por isso, que será preciso sempre uma AÇÃO CORRETA, ou seja, uma maneira eficiente e produtiva de estar no mundo, procurando viver em sintonia com o Todo.

Diante dessa estrutura formada, onde sensação, percepção, pensamento , e linguagem  e Ação estão alinhados, surge até, posso dizer espontaneamente , uma maneira de ser e agir corretos, ou  MODO DE VIDA CORRETO. Quando compreendemos o sentido profundo da Vida, suas inter relações com o Todo, o Sagrado da vida Humana , certamente iremos praticar profissões 
adequadas ao nosso sentido de existência e esses afazeres da mesma forma, irão produzir uma regeneração na sociedade.
Importante aprofundando a caminhada  e mantermos UM ESFORÇO CORRETO E CONSCIENTE, em percorrer todo esse caminho se adequando a todos esses preceitos. Isso exige disciplina e coordenação de todos os valores que anteriormente falamos e com isso nos esforçarmos em uma boa prática de vida.
ATENÇÃO CONSCIENTE a fim de que sejamos perceptíveis a nosso processo mental, a nossa maneira de ser e agir, desenvolvimento de autoconhecimento.
E por fim, finalizando as oito práticas ou ATITUDES, temos a CONCENTRAÇÃO PLENA, que é nossa capacidade de manter o foco naquilo que será importante ao nosso desenvolvimento como pessoas.
Escrevi esse pequeno texto, pensando exatamente em usar esse conhecimento não como uma busca pela Iluminação, que seria especificamente o objetivo da prática budista, mas em um recurso que melhore nossa espiritualidade e a nossa vida diária!

domingo, 8 de janeiro de 2017

A ARTE A COMPAIXÃO E A ASCESE








Me referi  em um post anterior sobre a experiência que tive ao ler Schopenhauer pela primeira vez. O mundo como Vontade e representação me deixou um vazio no estômago. Era muito jovem, estava bastante confuso, procurava respostas que a religião não me dera. A sensação foi muito ruim ,abandonei totalmente o filósofo, entendendo ser muito negativo.
Anos depois, mais estruturado, fortalecido pelas vivências retornei a mesma leitura  e posso dizer que não me arrependi.
Schopenhauer , apesar de sua extrema crueza, de mostrar a vida como ela é, e isso nos incomoda, porque muitas vezes somos criados a enxergar um mundo possível, repleto de ideologias e fantasias e de repente como um soco no estômago somos apresentados para um outro mundo, também possível e sinceramente bem mais real, do que antes criamos, apresenta também soluções, ou saídas.
O mundo é Vontade, não a boa vontade de Kant, mas uma Vontade cega, que anseia por viver, por subsistir, mesmo entendendo que esse existir provoca na maioria das vezes intenso sofrimento. E essa ânsia por existir por ter a precedência está embutida em cada ser, em cada inseto, bactéria, vírus, plantas, animais e seres humanos. É o conatos de Espinosa, essa sede por se afirmar que toda a vida tem. Esse mundo também é representação, e isso ele empresta de Kant, ou seja, só podemos ver o fenômeno , o que nossos sentidos nos trazem e jamais a coisa em si.
Sendo cega, entende-se que não existe um objetivo na Vida, não há uma teleologia, um propósito, tudo acontece como um grande turbilhão que nos arrasta de um lado a outro da existência.
Confesso, que apesar de reconhecer que existem algumas ilhas, onde aparentemente permanece uma certa ordem, racionalidade, na maioria esse mundo é uma grande confusão, um entrelaçamento de desejos, anseios, de ódios, invejas, amores, enfim é como se tudo estivesse misturado em um grande caleidóscopio e nós estamos dentro disso tudo, sendo arrastados, tendo na Razão, apenas uma tênue força para resistir.
Podemos afirmar, sem medo de errar que Schopenhauer fotografa muito bem o que é a existência e em uma primeira leitura, é claro que nos abateremos com essa realidade nua e crua. Mas conforme vamos lendo seu livro, percebemos que o autor tem uma ideia de como seria possível, sair dessa corrente impiedosa.
Essa porta , ou essas portas seriam três: A ascese, através da limitação de nossos desejos, conceito que adquiriu de suas leituras do Budismo, conseguiríamos enfraquecer a força da Vontade dentro de nós. A arte, principalmente a Música que transcenderia esse mundo e nos traria assim a libertação dele, e por fim a ética da compaixão, que diferente de Kant com seu dever e imperativo categórico, enxergaria a dor, as vicissitudes de cada ser humano se compadecendo dele, o que quebraria a força do egoismo próprio da Vontade. 

UM NOVO HOMEM

UM NOVO HOMEM!










 Por muito tempo tive  curiosidade em ler Nietzsche, afinal sempre foi um filósofo aclamado por suas contestações, sua maneira ácida de criticar a filosofia e principalmente a religião. E como aos 20 anos eu vivia uma crise religiosa, comecei a ler alguns trechos do filósofo. Se bem, que antes de Nietzsche eu me deparei com Schopenhauer lendo seu livro mais famoso O mundo como Vontade e Representação. A filosofia dele era interessante, mas como já tinha lido algo a respeito a achei extremamente pessimista, e entendi muito pouco realmente o que ele queria passar. Só muitos anos mais tarde, voltei ao assunto e compreendi coisas que na época não atentei.
Nietzsche não foi diferente, antes de começar a ler seus escritos ouvia falar de seu extremo niilismo, de sua crítica ácida contra o Cristianismo. E assim, já iniciei sua leitura por um viés negativo, e confesso que bem pouco tempo ainda via o filósofo como "perigoso" , ou seja, que as pessoas não poderiam ler suas ideias sem uma boa estrutura psicológica.
No entanto,  meses atrás me deparei com alguns vídeos no Youtube de uma filosofa da Usp Scarlett Merton, e nesses vídeos a Professora da Usp delineia um Nietzsche bem diferente, enxergando suas ideias por uma outra perspectiva. Confesso que a partir daí, passei a olhar com outros olhos a maneira de pensar do mesmo.
Então Nietzsche não era apenas uma dinamite, um martelador e destruidor de ídolos , conceitos e valores... ele também tinha uma proposta diante do caos que era esse mundo. Afinal, quebrar, destruir, é fácil... difícil é propor soluções, colar o que está quebrado.
O filósofo em seus escritos procura através do método genealógico entender de onde surgem os valores bom e mau. Percebe ao estudar as diversas culturas humanas, que o valor Bom é próprio dos nobres senhores, significando Força, coragem, potência.... por outro lado mau, seria o contrário: a fraqueza, a falta de potência de agir, próprio dos escravos.
Já na ideia dos escravos, Bom, era o humilde, o fraco, o frágil e assim eram os escravos, e mau eram aqueles fortes, impiedosos senhores que queriam destrui-los.
Dessa maneira Nietzsche entende que os valores não foram criados por um Deus, mas por pessoas comuns, e que assim poderiam ser recriados.
Por isso entende é preciso trans valorar, criar novos valores que tragam em seu bojo um novo Homem. É ai que se cristaliza sua ideia de Super Homem, não um super herói como nas histórias em quadrinhos, com poderes sobrenaturais, mas um homem comum, mas nobre, aristocrático, Forte, corajoso, que não traga em si as deformidades dos valores ocidentais que por conta de algumas filosofias como o platonismo, Sócrates e depois o Cristianismo corromperam essa Força no Homem.
É por isso a crítica feroz que ele faz contra o platonismo, contra Sócrates e principalmente contra o Cristianismo.
Para ele, Platão ao criar dois mundos e privilegiar o mundo das ideias em relação ao mundo dos sentidos, nega a Vida como ela é. Assim também Sócrates com a subjetividade humana, com os valores morais e principalmente a vertente cristã, o platonismo dos pobres, que ao enaltecer o fraco, o humilde, o perdedor e escravo subverte o verdadeiro valor da vida.
Era preciso pois mudar tudo isso, era preciso resgatar o homem do escombro dessas filosofias e essa era a missão dele.
Assim, determinado os motivos que levam a sociedade ocidental ao declínio, o filósofo propõem que pensemos  em outros moldes, criando um novo ser humano. E esse seria o Ubermensch, o Super Homem, o homem que cria seus próprios valores, valores alicerçados na Vida, nessa vida do aqui e agora. Junto com a ideia de Super Homem Nietzsche também agrega o sentido do amor fati, ou seja de que é preciso abraçar essa vida aqui que estamos a viver, em todos o seu alcance, em seus bons e maus momentos, na sua grandiosidade e na sua tragédia. Podemos também citar a Vontade de potência essa ideia que ensina que existe uma intensa luta, em tudo na Natureza, desde o nível maior até o mais ínfimo. Até mesmo, dentro de nós, cada célula luta , compete com as outras para sobreviver, para ter a precedência. A teoria de forças de Nietzsche pressupõem que somos formados por conjuntos de instintos, módulos, e que a cada minuto esses módulos se sobrepõem, numa intensa luta por se afirmar.
É claro que não podemos esquecer do Eterno retorno, que poderíamos concluir que criam a ética do comportamento da filosofia do autor. Eterno retorno seria viver, na consciência de que tudo voltaria a se repetir, coisas boas e coisas ruis, momentos maravilhosos e tragédias. Se assim for, e estou consciente disso, preciso fazer a cada minuto o melhor de mim mesmo, pois sei que invariavelmente eu mesmo sou responsável por tudo que irei repetir eternamente.
Assim, o filósofo propõem um novo mundo, uma nova sociedade através de pessoas maduras, fortes, que criem valores fortes e assim sustentem o mundo e a sociedade. Com esses novos valores que darão ênfase a Vida aqui e agora é possível então abraçar as contingências, as certezas e tudo que vier, vivendo de forma responsável entendendo que tudo o que  acontecer e  se repetir foi fruto de minha consciência, de minhas escolhas e de minhas atitudes!

O MELHOR DE TODOS OS MUNDOS













Algo inegável se coloca diante de nossos olhos: O mundo em que vivemos é extremamente complexo e exige de nós uma profunda reflexão. Embora possamos perceber que existem , nessa vida, situações maravilhosas, que mesmo sem dinheiro, podemos usufruir, como por exemplo admirar um belo por do sol, brincar com uma criança, estar diante do mar, na Natureza selvagem, olhar e sentir oa beleza e perfume das flores, ter bons amigos, enfim, a vida , as vezes é encantadora. No entanto, por trás desse encanto, subjaz um mundo cheio e repleto de violência, extrema competição, vinganças, homicídios, inveja, pobreza, morte.... Talvez, se fossemos colocar na balança, o mal, infelizmente estaria ganhando.
Fomos criados, pelo menos a maioria de todos nós, dentro de uma visão de mundo cristã, onde sabemos desde tenra idade que Deus, sendo Bom e perfeito, sempre quer o melhor para nós. 
Mas como conciliar essa ideia infantil, diante da situação em que estamos na atualidade, em que o mundo parece se dissolver diante de tantas vicissitudes, em que valores até então profundos foram sendo relativizados e deixados para trás?
Muitas são as explicações, talvez a mais plausível seja a de que, embora Deus seja perfeito e Bom e queira sempre o melhor para nós, deixou-nos com a liberdade de escolha, o famoso livre arbítrio. O mau uso desse livre arbítrio teria ocasionado as distorções que vemos em nosso Planeta.
Igualmente temos também uma ideia interessante de Leibniz filósofo e matemático que em seus escritos diz que Deus é bom e que dentro de todas as possibilidades que Ele como Deus onisciente, tinha diante de si, criou o MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS.
Voltaire , outro filósofo, menos otimista e mais cético, satirizou essa ideia , em seu livro Cândido, onde conta as desventuras de  um rapaz ingênuo acompanhado de um amigo filósofo Panglós que , assim como LEIBNIZ, repetia ao jovem " Apesar de todas as dificuldades que passamos, veja pelo lado bom, estamos no MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS. 
Sinceramente, não vejo com conciliar a questão da imperfeição do mundo, com a Bondade de Deus. Pela crença , posso até acreditar que Ele sabe todas as coisas e que existe um sentido em tudo de mal que acontece, mas logicamente tais argumentos não me convencem, parecendo incompletos. 
Mas a vida segue, e o que devemos fazer, na minha maneira de entender é sempre buscar experiências positivas que minimizem os sofrimentos desse mundo de sombras!!!