quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ETERNO RETORNO


Fiz algumas provocações hoje na sala dos professores, devido a questão da eleição de Tiririca.
Voto de protesto, voto "jogado fora", afinal, imagine votar em um palhaço, e além do mais analfabeto.
"Mas isso não tira a capacidade de ninguém, questionei" Outra professora argumentou " Esses políticos, todos deveriam ter nível superior, " Mas desde quando nível superior, redargui eu, é sinônimo de sensatez política.?" Hitler era estudado, até pleiteou um espaço na Academia de Artes Alemã, mas foi rejeitado, e Hernan Cortês, explorador espanhol dizimou os astecas, assassinou mulheres, crianças, idosos, tudo em nome do ouro . Detalhe: Ele tinha nível universitário, estudou em universidades europeias da época Outro professor argumentou que só conseguiríamos mudar o Brasil se votássemos em partidos grandes como PMDB PSDB e PT . Contestei a ideia citando  que para ser grande os partidos um dia foram pequenos, dando como exemplo a experiência do PT que cresceu muito após o fim da Ditadura militar 
Enfim, uma das professoras comentou que somos todos corruptos, porque afinal no início de tudo isto aqui, fomos colonizados por bandidos. Neste ponto concordei, pois no início do processo de colonização, Martin Afonso de Souza trouxe diversos degredados de Portugal para lhe auxiliarem. 
Mas o tema  foge a questão do caráter do brasileiro. A maneira como fomos colonizados e por quem o fomos diz muito do que somos.
Uma colônia que era obrigada a viver exclusivamente em função da Metrópole, com uma imensa burocracia, e uma política que privilegiava apenas os "amigos" criando uma estrutura familiar onde o público se misturava com o privado , além de uma  economia baseada na monocultura, engessaram o jovem País por muitos anos. E Portugal, apesar de grande potência na época, não tinha uma administração competente e esse modelo também foi inserido na colônia. 
Mesmo nosso processo de independência foi limitado. Levado a frente pela aristocracia da época, tendo em José Bonifácio seu exemplo maior , o projeto emancipatório passou de longe pela participação popular
E assim foi por todo o IMpério. Nossa primeira Constituição, de 1824 foi outorgada, ou seja imposta pelo Imperador, que além dos três poderes , tinha um quarto: O Poder Moderador, que era exercido é claro, pelo imperador.
A proclamação da República também passou quase que desapercebida pela população, impetrada por um golpe militar, dentre os muitos que ainda iriamos viver.
Então fica fácil compreender porque Tiriricas e Malufs continuam vencendo. Temos a síndrome do Eterno Retorno da qual falava Nietzsche. Para o filósofo, de certa maneira, estamos condenados a sempre repetir fatos, histórias, tragédias, guerras, talvez em roupagens diferentes, mas sempre com o mesmo molde. 
Politicamente sempre fomos frágeis, sempre deixamos nas mãos dos poderosos os destinos de nossa Nação e continuamos a repetir o mesmo comportamento ano após ano.

Seria o Eterno retorno algo inexorável ou teremos nós a ousadia de quebrar o ciclo de repetições e fazer algo realmente novo?

O tempo dirá!

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