segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CHEIOS DE VAZIOS



Estamos acostumados a viver em ambientes repletos de objetos, de pessoas, de coisas para fazer , de pensamentos e sentimentos que povoam nossa mente.
Precisamos estar com pessoas, inseridos na multidão, pois muitas vezes a solidão é uma realidade que nos assusta.
O Universo parece repleto de matéria, pois para onde olhamos vemos objetos "sólidos", matéria que sentimos, podemos apalpar e perceber sua espessura.
Buscamos a todo custo preencher o nosso interior com pensamentos, com ideias com projetos com sensações... fugimos do vazio.
Mas será que realmente este Universo, a vida, nós , estamos assim tão repletos?
A ciência tem demonstrado que o total de matéria existente no Universo corresponde no máximo a quatro por cento de tudo que vemos, o resto é a matéria escura, ou seja Vazio,
A Física quântica nos ensina que no interior da matéria, mais especificamente nos átomos, o vazio predomina, tirando algumas partículas básicas, a estrutura da matéria é formada de imensos vazios.
Como somos feitos de átomos podemos supor de igual maneira que dentro de nós também existem grandes vazios.
Então o grande desafio é perceber que estamos rodeados muito mais por vazios do que por matéria.
O budismo tem um conceito muito interessante, talvez um dos pilares da doutrina budista. Chama se vacuidade.
Para eles não há  coisas em si mesmo, porque toda a Natureza é perpassada por grande interdependência. Não existe uma árvore em si, pois ela dependeria de fatores externos como o clima , o solo, e de fatores internos como suas partes formadas por folhas, tronco e frutos. Existe o conceito árvore e entendemos quando alguém nos fala sobre ela, mas ela em si é vazia de significados e  essência
Assim também é uma ilusão acreditarmos que temos ou somos um "eu". Temos a percepção de algo em nós gerencia  pensamentos e sentimentos, mas de fato o eu é uma ideia distorcida formada por uma mente que se apega, que deseja.
Assim, se existem grandes vazios, se há grande interdependência há uma infinita possibilidade de mudanças. 
Muitas pessoas confundem o vazio com o Nada, mas o conceito budista se refere a Vazio como um grande mar de possibilidades, pois se não existe nada definido, nada sólido, tudo pode ser mudado , transformado. Não somos isto que pensamos hoje, podemos mudar, não somos os rótulos que a sociedade nos coloca, pois vazios em si mesmos, podemos nos transformar em qualquer possibilidade.
Essa percepção de vacuidade nos liberta das prisões cotidianas, dos relacionamentos fracassados, da vida rotineira.... sempre é possível  mudar, pois não somos sólidos, mão somos fixos, somos possibilidades!!!!
Poderíamos até fazer um paralelo entre essa ideia de vazio e ausência de ego ,na proposta do apóstolo São Paulo " Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim." Eu nada sou, vazio, cedo o meu imenso vazio para que Deus, essa Energia da vida venha me preencher!!! Deus, o potencial maior de todas as possibilidades!!!

domingo, 28 de setembro de 2014

SÓ QUEREM O TEU FRUTO

Quando lançamos uma semente ao solo, temos a intenção e o desejo de ver nascer, ali, naquele espaço uma grande e bela árvore, que nos dará sombra, prazer e principalmente frutos.

Mas será que temos noção de todo o processo necessário para que um dia essa árvore produza?

Ao ser lançada ao chão a semente tem que deixar de existir, para que dela possa brotar uma nova vida. Esta vida não será mais a semente, mas a potência a ser transformada em árvore.

E os desafios são imensos. É preciso um solo adequado, calor e umidade na medida certa, muita água......
A pequena árvore vai crescendo, vencendo grandes desafios... talvez uma praga em determinada parte de seus galhos, talvez a dificuldade das raízes ao encontrarem pedras no meio de seu caminho, um inverno rigoroso, uma estação de seca prolongada.
As raízes vão se aprofundando no solo, o tronco começa a se tornar vigoroso, os galhos vão se estendendo, as folhas cada dia mais belas, a árvore vai tomando os contornos de uma vida adulta.
Podemos comparar o desenvolvimento de uma árvore ao desenvolvimento humano. Uma pequena semente lançada , em meio a milhares de outras sementes tem a difícil missão, de ser ela, a única a fecundar um óvulo, e para isso precisa além de ser melhor que as outras sementes enfrentar muitas situações de perigo. Vencidas essas situações o processo se inicia e por nove meses o pequeno ser se instala no útero de sua mãe.
Nasce, começa a se desenvolver, dá os primeiros passos, as primeiras palavras,  o processo de alfabetização.E assim vemos a formação de todos os seres humanos.
Por fim chegamos a idade adulta, com todas as responsabilidades que esse momento coloca sobre nós, e pouco a pouco vamos perdendo aquele fio condutor que nos liga as nossas origens, a todo nosso processo de ser. 
Sim, porque há um grande processo envolvido na formação de um ser humano, desde que este sai do ventre de sua mãe. 
Muitos cientistas estudaram a formação e o desenvolvimento humano. Temos Piaget com a teoria do construtivismo, com as fases de desenvolvimento das crianças até alcançarem o pensamento formal.
Também Vigotysky ensina que a cultura é fundamental no desenvolvimento da pessoa , que somos mediados por signos e nossa relação com o mundo não é direta, mas precisa da intervenção humana.
No entanto, vivemos dentro de um modelo de sociedade que não valoriza as histórias humanas, que não se preocupa com os processos, com os sonhos, os ideais. Simplesmente quer sugar o melhor de nossa juventude, de nossa vida adulta , e no final entrega o bagaço.
Esse mundo quer de nós apenas o nosso fruto. Quer resultados, valoriza apenas pessoas que tenham algo realmente importante, que ofereçam benefícios , que se deixem sugar
Sem dúvida, os frutos são o coroamento de todo um processo, mas não existiriam se cada fase desse processo não  tivesse sido trabalhada e desenvolvida. 
Muito mais do que frutos, temos uma história, uma vida, uma essência que não pode ser ignorada!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ETERNO RETORNO


Fiz algumas provocações hoje na sala dos professores, devido a questão da eleição de Tiririca.
Voto de protesto, voto "jogado fora", afinal, imagine votar em um palhaço, e além do mais analfabeto.
"Mas isso não tira a capacidade de ninguém, questionei" Outra professora argumentou " Esses políticos, todos deveriam ter nível superior, " Mas desde quando nível superior, redargui eu, é sinônimo de sensatez política.?" Hitler era estudado, até pleiteou um espaço na Academia de Artes Alemã, mas foi rejeitado, e Hernan Cortês, explorador espanhol dizimou os astecas, assassinou mulheres, crianças, idosos, tudo em nome do ouro . Detalhe: Ele tinha nível universitário, estudou em universidades europeias da época Outro professor argumentou que só conseguiríamos mudar o Brasil se votássemos em partidos grandes como PMDB PSDB e PT . Contestei a ideia citando  que para ser grande os partidos um dia foram pequenos, dando como exemplo a experiência do PT que cresceu muito após o fim da Ditadura militar 
Enfim, uma das professoras comentou que somos todos corruptos, porque afinal no início de tudo isto aqui, fomos colonizados por bandidos. Neste ponto concordei, pois no início do processo de colonização, Martin Afonso de Souza trouxe diversos degredados de Portugal para lhe auxiliarem. 
Mas o tema  foge a questão do caráter do brasileiro. A maneira como fomos colonizados e por quem o fomos diz muito do que somos.
Uma colônia que era obrigada a viver exclusivamente em função da Metrópole, com uma imensa burocracia, e uma política que privilegiava apenas os "amigos" criando uma estrutura familiar onde o público se misturava com o privado , além de uma  economia baseada na monocultura, engessaram o jovem País por muitos anos. E Portugal, apesar de grande potência na época, não tinha uma administração competente e esse modelo também foi inserido na colônia. 
Mesmo nosso processo de independência foi limitado. Levado a frente pela aristocracia da época, tendo em José Bonifácio seu exemplo maior , o projeto emancipatório passou de longe pela participação popular
E assim foi por todo o IMpério. Nossa primeira Constituição, de 1824 foi outorgada, ou seja imposta pelo Imperador, que além dos três poderes , tinha um quarto: O Poder Moderador, que era exercido é claro, pelo imperador.
A proclamação da República também passou quase que desapercebida pela população, impetrada por um golpe militar, dentre os muitos que ainda iriamos viver.
Então fica fácil compreender porque Tiriricas e Malufs continuam vencendo. Temos a síndrome do Eterno Retorno da qual falava Nietzsche. Para o filósofo, de certa maneira, estamos condenados a sempre repetir fatos, histórias, tragédias, guerras, talvez em roupagens diferentes, mas sempre com o mesmo molde. 
Politicamente sempre fomos frágeis, sempre deixamos nas mãos dos poderosos os destinos de nossa Nação e continuamos a repetir o mesmo comportamento ano após ano.

Seria o Eterno retorno algo inexorável ou teremos nós a ousadia de quebrar o ciclo de repetições e fazer algo realmente novo?

O tempo dirá!

sábado, 20 de setembro de 2014

VOCÊ É MAIS DO QUE SEU QI


Durante muito tempo a Psicologia se interessou por bases comportamentais do ser humano para procurar entende-lo. 
Essa escola de pensamento recebeu o nome de behaviorista ou comportamentalista e teve em John B. Watson  seu principal defensor vindo a ser conhecido como behaviorismo clássico, muito embora Skinner iria representar uma outra ala de um pensamento mais radical..
Em geral os behavioristas acreditavam que o ser humano era controlado totalmente por condicionamentos externos, a exemplo das teorias do russo Ivan Pavlov que fez experiências com cães onde ao apresentar comida para eles, salivavam. Depois trazia a comida e apertava um sinal. Passado um tempo, tirou a comida, mas os cachorros quando escutavam o sinal salivavam. Portanto tinham sido condicionados a terem aquele comportamento. Partindo dessa ideia, os behavioristas acreditavam que podiam através de estímulo e resposta condiconar o comportamento de qualquer ser humano.
Percebemos que essa teoria reduzia a pessoa a seu comportamento. Questões subjetivas como sentimentos, vontade , pensamentos, percepção, não eram levados em conta..
Bastava reforçar atitudes positivas para alcançar comportamentos desejáveis e dar respostas negativas a maus comportamentos, de maneira que eles acabassem por desaparecer.
Nossa educação pensou o ser humano dessa maneira , por muitos anos, e até mesmo hoje, convivemos  com resquícios dessas ideias em nossas escolas, nos lares, nas igrejas, enfim na sociedade.
Alguns anos se passaram e Alfred Binet criou o famoso teste de QI,  embora não fosse exatamente a ideia que o cientista queria para sua experiência,ela foi usada para conceber a inteligência como algo genético, que teria uma grandeza determinada em cada pessoa e que aqueles que nasciam com alto quociente eram sortudos enquanto os outros nada podiam fazer.
Mas havia muitos outros cientistas pesquisando e contestando tais afirmações. 
Daniel Golleman , no início dos anos 80 lançou o livro a Inteligência emocional, onde postulava a existência de outros fatores que faziam de alguém inteligente, além de simples testes de aferição lógica matemática.
Finalmente, nos tempos atuais temos uma outra teoria sobre a inteligência.
Hovard Gardner cientista americano há mais de 30 anos em estudos  lançou um livro com o título de Inteligências múltiplas.
Nessa teoria o autor postula que temos oito tipos de inteligência : a lógica-matemática,a linguística  a espacial,a corporal cinestésica a musical, a intra pessoal, a interpessoal, a naturalista
Assim a lógica-matemática é a capacidade de lidar com números, a linguística a facilidade em redigir e compreender diversos gêneros textuais a espacial, facilidade com mapas, localização, a cinestésica , o talento em expressar-se com o corpo,a intrapessoal , talento para gerenciar seu mundo interior, a interpessoal, facilidade em fazer amigos e se comunicar, a naturalista, própria de biólogos que conseguem ter contato com a Natureza e seus ecossistemas. O autor ainda teoriza sobre uma nona inteligência que seria a existencial, própria de místicos e religiosos.
Apesar de a teoria não poder se valer de medições de cada tipo de inteligências, foi recebida com entusiasmo por muitas escolas e educadores que implantaram seus preceitos.
Acredito que temos uma capacidade infinita que nos foi dada pelo Criador, e que se bem direcionados poderemos alcançar níveis jamais pensados pelo ser humano.
Prefiro pensar que temos muitas inteligências e que podemos desenvolve-las. É claro que não seremos bons em todas, mas conseguiremos melhorar e muito nossa performance.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A HORA DA ESTRELA


Por vezes, nossas vidas são como colchas de retalhos, mostrando tantas divergências,  situações, histórias mal vividas, momentos não resolvidos. Temos uma rotina diária, massificados por uma estrutura social que delimita muito bem nosso espaço geográfico, até onde podemos pensar e exercer nossa "cidadania".
E as amarras são fortíssimas, por mais que sejamos conscientes, que tenhamos um forte senso crítico, não há espaço para crescer, expandir nossas possibilidades. A angústia nos consome e nos cobrimos com a mediocridade.
Talvez a alguns leitores , isso possa parecer um desabafo, um momento de pessimismo. Mas é o puro retrato em que vive a maioria dos sete bilhões de seres humanos que existem no Planeta.
Me faz lembrar Mácabea personagem do livro a Hora da Estrela de Clarice Lispector: Pobre, feia, sem dotes intelectuais, sem carisma, a personagem passeia pelo livro desfilando suas limitações.
Sem saber mesmo quem é, e assim não ter condições de se impor, começa namorar , mas é trocada pela amiga de serviço cujo pai era açougueiro e propiciaria a Olímpio de Jesus uma chance de melhorar de vida.
Desolada, procura conforto em uma cartomante que lhe diz  que teria seu momento de glória, e que isso viria através do "estrangeiro"
De fato , ao sair da cartomante , Mácabea é atropelada por Hans , que dirigia um Mercedes Bens. Assim, a personagem tem sua hora da estrela, seu momento de libertação, onde idosos, mulheres, crianças, jovens, todos a olham ali, caída sem vida no chão!
Como é temeroso perceber que muitos de nós vivemos situação parecida. Muitos sem estudos, sem condições de ascensão social, fora dos padrões de beleza e de status  promovidos pela mídia,. caminhamos como Mácabea, em cidades que não foram feitas para nós,. como estrangeiros em terras estranhas.
Aníbal general cartaginês cunhou uma frase célebre " Se não existe um caminho, tratemos de criar um"
Vamos tomar uma atitude radical. Vamos sacudir esse comodismo, essa mediocridade... Medíocre é fazer sempre as mesmas coisas, é se conformar com o que somos, acreditando não haver saídas, e viver na nossa zona de conforto sem mudanças. e pensar que não temos mais idade para sonhar.....
A hora de estrela de Macabea, não pode e nem deve ser nosso destino!
Vamos criar outros caminhos... uma hora tem que dar certo!!!

terça-feira, 16 de setembro de 2014

OS QUATRO PILARES DO SER!

Tive o prazer de assistir  alguns dias atrás o filme " Tudo por um sonho" Trata-se da história  real de um menino que se tornou um grande surfista, mas morreu precocemente aos 22 anos, Um dos diálogos do filme que gostei , se passa, quando o jovem escolhe um mentor, uma pessoa que era muito boa no surfe para ensiná-lo. O treinador lhe diz que fará os exercícios baseados em 4 pilares; Sua vida física, mental,emocional e espiritual. 
A parte  física é muito importante para a nossa existência, pois é o veículo das vontades e desejos de nosso espírito. Sem um corpo saudável, fica díficil pensar em alegria , contentamento, viver uma vida equilibrada. Fazer exercícios diários é fundamental.
Mas o físico é apenas uma "parte" do que somos constituídos. Temos também noss esfera  mental, que é onde se formam nossos pensamentos, a maneira como vemos e entendemos o mundo. Se tivermos uma mente equilibrada, com bons pensamentos, com uma maneira adequada de interpretar a vida e seus desafios, teremos saúde ,mental. Caso contrário, viveremos em contínuo tormento, sendo perseguidos por maus pensamentos, que gerarao maus sentimentos, que por fim se transformarão em comportamentos  destrutivos.
De que forma posso trabalhar meu mundo mental? Através de exercícios de visualização. de pensamentos positivos, de leituras de bons livros, assistindo filmes de qualidade.

De igual importância nossas emoções, que são as responsáveis por dar sentido e colorido a nossa existência. Uma vida sem emoções, com certeza seria um mundo tedioso, sem desafios, sem adrenalina. Apesar de quase todos os livros conclamarem que somos seres racionais, isto é apernas uma parte da verdade.
Realmente temos em nós essa centelha da razão, mas a grande maioria de nossos comportamentos é de caráter emocional: somos seres de sentimentos. 
Se não há equilíbrio em minhas emoções, com certeza terei uma vida pobre de relacionamentos .
Ter consciência da importância de investir em sua dimensão emocional é fundamental para uma vida de qualidade. ´Lembro me de uma música já bem antiga que dizia mais ou menos assim" É como a flor, de água ar luz e calor , o amor precisa para viver... de emoção e de alegria e tem que regar todo dia" 
Assim, quando compreendo que preciso "regar" minha vida emocional com bons relacionamentos, com sentimentos positivos , empatia, estou colaborando para a excelência dentro de mim.
Para finalizar , não posso deixar de falar do nível espiritual. A filosofa americana Dana Zohar lançou alguns anos, o livro "Inteligência espiritual". Nele, a autora teoriza sobre o fato de que entre tantas inteligências existentes no homem, a inteligência espiritual é uma das mais importantes, pois abre portas para outros níveis de percepção.
Enfim , estamos inseridos em várias dimensões, apesar de termos morada dentro de apenas um corpo. Existimos como mente, emoção, razão, espiritualidade em uma Unidade. Somos apenas UM, mas há um espectro de dimensões em nós, e todas elas precisam ser equilibradas para que possamos viver de uma maneira especial neste mundo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

SÓ UMA PALAVRA ME DEVORA....


"Doenças são palavras não ditas" Tenho refletido muito nessa frase do  médico, neurologista psicanalista  e psiquiatra Jacques Marie Émile Lacan, 
A psicanálise ensina que quando não processamos adequadamente nossas emoções e nossa libido, podem ocorrer somatizações, isto é ,uma maneira errada de compreender nossa vida mental, nossas ideias, nossos sentimentos, podem gerar doenças no nosso corpo.
Há uma teoria do médico neurologista Paul Maclean da década de 70 que ensina que temos um cérebro tripartido, ou três cérebros. O mais básico , se encontra no entroncamento da medula espinhal , o cérebro reptiliano. É o cérebro da origem da espécie, que conhece basicamente comandos de prazer e dor, enfrentamento e fuga. É o nosso lado mais instintivo. Na evolução outra camada cerebral se sobrepôs ao cérebro reptiliano. Nosso cérebro límbico,emocional  o cérebro dos grandes mamíferos, que evoluiu em algumas áreas, e conseguia assim emitir julgamentos sobre o que fazer em momentos de crise , além de simplesmente fugir. O mais moderno de todos , seria o neocortex, nosso cérebro pensante, aquele que toma as decisões, que planeja e faz as comparações.
Esses três cérebros estão interligados e quase sempre em oposição uns aos outros.
E apesar de toda a sofisticação, o neocortex invariavelmente perde a batalha para os outros dois cérebros. Quem  não ouviu aquela teoria de que a maioria de nossas ações são baseadas nas emoções? Apesar de sermos chamados animais racionais, somos ainda instintivos e emocionais.
Assim cria-se um conflito dentro de nós. E se não temos maturidade, se não desenvolvemos um autoconhecimento equilibrado, tanto nossa base mental, quanto a nossa base genética pode nos trazer grandes transtornos.

E assim , como a cantora Simone na música Jura Secreta podemos gritar " Sò uma palavra me devora.... aquela que meu coração não diz."
Penso que as  escolas deveriam ensinar nossos filhos a desenvolver essa capacidade de clareamento de suas intenções e sentimentos, de gerenciar os conflitos de sua mente de forma saudável  a fim de evitar aquela sensação angustiante de implodir por dentro, de não ter coragem e estratégias para dizer aquilo que pensa.
Existe uma palavra que define muito bem essa questão : Assertividade, que é a capacidade de falar o que se pensa de maneira clara,  com educação e sensibilidade. Nosso corpo, com certeza agradece!!!

domingo, 14 de setembro de 2014

AZUL DA COR DO MAR


Desde que o homem iniciou sua jornada por este Planeta , muitos conflitos ocorreram. Seja por territórios ou comida, naqueles tempos das cavernas, seja pelo dinheiro e poder, nos tempos atuais, o certo é que vivemos quase sempre em eternos conflitos.
Talvez uma das maiores guerras ocorridas tenha sido a Segunda Grande Guerra Mundial. O blog da Revista Superinteressante elege os doze conflitos que mais mataram pessoas no mundo e esta Guerra matou, segundo o blog, de 40 a 70 milhões de pessoas, com um pequeno detalhe: Desse montante, 62% eram civis, ou seja, não tinham nada a ver com o conflito.
 Dentre esse grupos podemos citar os ciganos, os homossexuais, os judeus ,as Testemunhas de Jeová entre outras etnias. 
No caso dos judeus , houve uma tentativa de extinção completa da etnia judaica, onde mais de 6 milhões  foram exterminados. Em um primeiro momento foram colocados em guetos, depois presos e finalmente eliminados nas câmaras de gás.
Um desses judeus chamava-se Viktor Frankl ,um médico psiquiatra  que viveu os horrores dos campos de concentração.
 Enviado para Auschwitz juntamente com a esposa e a mãe de 65 anos,  presencia horrores como a morte da mãe nas câmeras de gás, enquanto sua esposa é transferida para outro campo.
Ali, naquele lugar de horrores, o médico vai fazendo algumas distinções, sobre aqueles que conseguem permanecer vivos. Infere que somente  pessoas que tinham um forte sentido de dever, uma missão, uma esperança  conseguiam sobreviver, enquanto outros milhares que se abatiam pelo momento pereciam.
 Frankl  coloca dentro de si que precisa sair para encontrar sua esposa, para reconstruir sua vida. É esse sentido, essa esperança que mantêm o médico vivo.
Terminada a guerra , descobre que sua mulher havia morrido. Vencendo o desespero, casa-se novamente e começa a clinicar. Cria então a logoterapia que é a teoria sobre o sentido da vida, 
Na verdade, segundo a tese, além das doenças somáticas e mentais, havia doenças espirituais que irrompiam no individuo pela perda de sentido, de prazer na existência. Ao invés de ficar buscando no passado, como fazia a Psicanálise, as causas para os males humanos, Viktor Frankl posicionava o homem em seu presente e o lançava a busca de seu sentido de vida, de sua missão.
Nos tempos atuais de pós modernismo, onde os valores se relativizaram, mundo em que, segundo as palavras do filósofo Zigymunt Bauman, até o amor ficou líquido, no sentido de que perdeu sua essência, é imprescindível que o ser humano se lance em uma jornada interior de autoconhecimento. As grandes narrativas como cristianismo, socialismo,capitalismo e tantas outras utopias, não conseguem mais explicar e tornar esse Planeta mais humano. 
Tim Maia cantor brasileiro escreveu uma bela canção que se intitulava " Azul da cor do mar". Nela, a exemplo do psiquiatra austríaco, nos convida a encontrar um sentido para a existência "A ... se o mundo inteiro me pudesse ouvir, tenho muito prá contar, dizer do que aprendi. Que na vida a gente tem que entender, que um nasce prá sofrer, enquanto outro ri. Mas na vida a gente tem que procurar, pelo menos vir e achar , razão para viver. Ter no mundo algum motivo prá sonhar, ter um sonho todo azul, azul da cor do mar"
Assim, que realmente ao conviver com tantos males, com tanto desespero e falta de sentido, busquemos uma Missão para existir!!! 


sábado, 13 de setembro de 2014

DEUS E O CÉREBRO

A ideia de Deus é antiga na Humanidade,  Segundo  pesquisadores data da época do Paleolítico ou pedra lascada ( Período da pré história, cerca de 2,5 milhões de anos antes de Cristo.) Há muitas teorias sobre a origem do sentimento religioso dentro do homem. Estudiosos acreditam que o ser humano ao se sentir pequeno diante da grandeza do Universo e das Forças da Natureza teria forjado a ideia de um Deus protetor a fim de conseguir harmonizar sua mente. 
Freud em Futuro de uma ilusão , observa que a religião foi criada pela civilização, a fim de domesticar os instintos humanos, de maneira que não houvesse uma destruição da espécie por conta dos desejos e instintos do homem.
A Bíblia, conjunto de livros escritos por homens inspirados por Deus, na perspectiva dos cristãos, ensina que Ele criou o mundo e o ser humano e todas as demais coisas, portanto o homem é uma criatura de Deus.
Mas o que a ciência teria a dizer sobre a espiritualidade?
É certo que a teoria da Evolução, a psicanálise e a teoria de Copérnico que tirou a Terra do centro do Universo, enquanto ciência, abalaram seriamente os pilares da fé. Ao propor que o homem seria produto de uma série de evoluções, principiando de uma pequena célula e perpassando os diversos reinos da Natureza, inclusive o animal, Darwin recoloca o homem dentro da Natureza. Freud com a psicanálise demonstra que nós somos criaturas de desejo, com tendências e instintos perversos. Copérnico tira a aura da criação, pois naquele momento a Terra seria apenas mais um dos planetas que circundam o sol.
É claro que tudo isso abalou a autoestima da raça humana, e certamente muitos pensadores aproveitaram para tecer teorias contrárias a existência de Deus.
No entanto, temos visto ultimamente uma tentativa de reaproximação entre ciência e espiritualidade. 
Físicos como Fritjof Capra, Amit Goswani e muitos outros pensadores, tem se debruçado sobre a importância da espiritualidade na vida das pessoas.
A Discovery Science em um de seus documentários intitulado "Os Mistérios da mente" mostrou uma pesquisa feita por um cientista que mapeou através da ressonância magnética o cérebro de várias pessoas enquanto oravam ou meditavam. Aqueles que oravam tinham partes de seu cérebro como os lobos centrais, a região da fala, "iluminados", O cérebro reagia a oração da mesma forma do que quando  duas pessoas conversam. Então inferiu-se que para o cérebro, quando você ora, realmente está acontecendo uma conversa entre você e Deus. 
Outras pesquisas tem mostrado que a oração provoca a liberação de substâncias benéficas no cérebro como a dopamina e as endorfinas, o que favoreceria a cura de muitas doenças.
Podemos deduzir então que Deus seria uma criação humana? 
Ou então Deus estaria dentro de nós, em nossa biologia, em nossa psique , como na Bíblia é ensinado por Jesus " O reino de Deus está dentro de nós"
Seja qual for sua interpretação, parece quer o mais importante é perceber os benefícios da espiritualidade para a vida de todos nós!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

NAS MÃOS DO DESTINO.

Somos livres? Temos a capacidade da escolha, temos liberdade para sermos e fazermos o que quisermos?
A questão do livre arbitrio sempre esteve nos debates em todos os tempos. De um lado, os defensores da total liberdade humana da escolha, de outro pensadores que acreditavam que a liberdade estava condicionada a diversos fatores e que portanto não somos livres totalmente.
Sartre, filósofo existencialista acreditava que o homem estava determinado a liberdade  por isso era dono de sua vida. Ao se fazer ser humano através de sua existência a pessoa teria o direito de escolher seus próprios valores, sua maneira de ser e agir no mundo.
 Freud , com a teoria do inconsciente postulava, que atrás de nossa pretensa "liberdade" de escolha, estariam forças subjacentes a consciência que determinariam nossas ações, portanto nossa liberdade seria limitada.
Um artigo curioso da Revista Superinteressante sobre a Teoria da Relatividade de Albert Einstein também trabalha com a ideia de que o livre arbítrio não existe, porque de acordo com a teoria se supusermos um observador no futuro, este já viu todas as coisas acontecendo, inclusive o momento de seu nascimento e de sua morte. Tudo estaria imprimido em um rolo , como os de filmes do cinema, onde passado, presente e futuro estão juntos.
Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim,  também colocou em xeque o que costumamos chamar de livre-arbítrio: a capacidade que o homem tem de tomar decisões por conta própria. As escolhas que fazemos na vida são mesmo nossas. Mas não são conscientes. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma seqüência aleatória de letras. Eles deveriam escolher uma letra e apertar um botão quando ela aparecesse. Simples, não? Acontece que, monitorando o cérebro dos voluntários via ressonância magnética, os cientistas chegaram a uma descoberta impressionante. Dez segundos antes de os voluntários resolverem apertar o botão, sinais elétricos correspondentes a essa decisão apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro que controlam a tomada de decisões. “Nos casos em que as pessoas podem tomar decisões em seu próprio ritmo e tempo, o cérebro parece decidir antes da consciência”, afirma o cientista John Dylan-Haynes. 
Diante de todos esses argumentos podemos inferir que se existe alguma "liberdade" ela é bastante limitada e condicionada há uma série de variáveis que não estão sob nosso controle.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A NATUREZA NOS RENOVA

A intensidade da vida em sociedade nos conduz a extremos . O ritmo a que temos que nos submeter para dar conta de todos nossos sonhos e desejos está além do que nosso cérebro e nosso corpo é  projetado para suportar.
O estresse em doses pequenas é até um agente motivador, segundo a opinião de vários médicos, mas quando esse estresse começa a desequilibrar nosso organismo , fazendo com que o mesmo produza hormônios  como a adrenalina e a noradrenalina que aumentam o ritmo cardíaco, a pressão sanguínea entre outros sintomas, esse estresse começa a ser prejudicial ao ser humano.
Não vivemos mais nas selvas, não somos mais caçadores, mas ao mesmo tempo os desafios, apesar de diferentes são tão grandes quanto os que nossos antepassados enfrentaram nas savanas africanas.
Grande parte das enfermidades que nos acometem nos dias atuais como as cardiopatias, o câncer, as doenças crônicas são motivadas por esse ritmo alucinante em que estamos envolvidos.
A tecnologia também nos insere em uma realidade em que não conseguimos mais nos "desconectar", pois mesmo longe de nossos lares, nosso trabalho, continuamos plugados no mundo através dos celulares, dos tablets...........
Allan Percy em seu livro Nietzsche para estressados usa uma máxima do filósofo para pontuar a questão da ansiedade e estresse, apontando um caminho para nos livrarmos desse mal: A Natureza.
É nela que encontraremos nossa essência, que ao sentirmos o cheiro da terra, e caminharmos com os pés descalços, e vermos a beleza da fauna e flora, e sermos embalados pelo canto dos pássaros e pequemos insetos , sentiremos um novo ânimo um desabrochar de nossas forças. "Nós nos sentimos bem em meio a Natureza porque ela não nos julga. Em sociedade temos papéis a interpretar, a de agradar pessoas, mas na Natureza alcançamos a autentiticidade, não precisamos agradar. apenas Ser!!!

sábado, 6 de setembro de 2014

O QUE É SER HUMANO?





Um comentário feito por uma professora me instigou a uma reflexão. Surgiu um assunto sobre doação de sangue, e eu falava da importância dessa atitude humana das pessoas. A professora que passava para assinar o ponto comentou: -Você sabe em quais dias mais se doa sangue?  -Nem imagino retruquei: São as sextas e segundas, ou seja as pessoas doam sangue primeiro para alcançarem seu objetivo pessoal: Um atestado médico. Desconfio da palavra humano, disse ela"Essa questão ficou em suspenso em minha mente, até que há alguns dias atrás assisti o filme o Enigma de Kaspar Hauser,  caso real do século XIX na Alemanha de um indivíduo que passou 15 anos de sua vida longe de contato humano. O filme foi dirigido pelo cineasta Werner Herzog na década de 60,
Filme riquíssimo para diversas reflexões em várias áreas do conhecimento (filosofia, pedagogia, psicologia e sociologia) minha reflexão será no sentido do que realmente nos faz "humanos" e se esse ato civilizatório, nos faz "melhores" ou não.
Não vou entrar em detalhes sobre o filme, que recomendo, mas é preciso explicar para que possamos dar continuidade ao raciocínio acima exposto, de que o jovem encontrado em situação de quase "selvagem" começa a partir daquele momento ser inserido no mundo social, dos signos , dos processos linguísticos e da lógica racionalista do século XIX. E tudo isso soa estranho , muito estranho para um jovem, que apesar de não ter sido ensinado a ter regras morais, era visto por todos como uma pessoa agradável, afável, de bons sentimentos.
Sua lógica, apesar do esforço de seus mentores, era contrária a razão , tão em prática nessa época da história.
En uma das cenas do filme ele pondera " Porque as mulheres só ficam sentadas fazendo tricô" , uma reflexão crítica da posição da mulher naquele momento. Ou mesmo quando alguns teólogos querem forçar-lhe a acreditar em Deus " È preciso acreditar em Deus Kaspar" "Primeiro preciso aprender a ler e escrever, para depois acreditar em outras coisas"
Isso incomodava as pessoas daquele século que acreditavam que tudo aquilo que não se adequasse ao modelo considerado " normal e racional" era defeituoso, diferente e deveria ser adequado as regras.
Por fim, alinhando o que disse sobre a reflexão do que a professora falou , com a percepção que tive sobre o filme, começo a perceber que a cultura é uma das grandes responsáveis pela domesticação desse " animal humano". Mas até que ponto essa cultura que nos humaniza torna-nos melhores do que nascemos ? A que pretexto civilizamos, educamos nossas gerações? Para serem padronizadas em um mundo racional, civilizado, humano,. mas que contraria as aspirações mais profundas da pessoa?
As reflexões se aprofundam........