sábado, 12 de julho de 2014

Mestre e aluno!!!


Um livro de minha adolescência que me marcou profundamente foi Fernão Capelo Gaivota, uma alegoria do crescimento espiritual. 
Estamos inseridos dentro de uma sociedade extremamente complexa, com muitas ideias, visões de mundo que distorcem a nossa verdadeira missão. Qual seria a sua missão?  Como nos ensinam os grandes Mestres, essa missão vem embutida dentro de nós, mas a vida em sociedade nos dispersa tanto, que perdemos o rumo da caminhada.
E assim o aprendizado é fundamental. E esse aprendizado acontece todos os dias, nos mínimos detalhes, pois nunca podemos dizer que já sabemos tudo, pois o Universo é infinito!
Quantas vezes imaginamos que estamos certos... as vezes anos e anos seguindo por um único caminho e de repente nos conscientizamos de que nos enganamos.
Temos que começar tudo de novo. Mas toda vez que recomeçamos, sempre ficam as estruturas de aprendizado ,  Como diz um ditado chinês "Quem cai sempre se levanta com algo nas mãos". nem que sejam machucados, pois eles nos farão refletir.
O livro bíblico de Eclesiastes ensina em seus preceitos que melhor é estar na casa do luto do que em banquetes, pois na tristeza existe reflexão, enquanto que muitas vezes na felicidade efêmera, existe a vaidade e a falta de consciência. É claro que o texto precisa ser percebido sem radicalismos. É necessário alguns momentos de alegria, de felicidade, mas a tristeza e os infortúnios também são ferramentas necessárias e imprecindíveis para o nosso desenvolvimento.
E assim caminhamos pela vida. Diante das experiências, do mover do tempo, nos tornamos as vezes  mestres. Conseguimos ensinar aquilo que a vida nos passou. Mas quase sempre seremos  alunos, pois precisamos ter humildade para compreender que a Vida é um vasto oceano, e que sabemos apenas uma gota do que é a existência!!

terça-feira, 1 de julho de 2014

A ARTE DE SER SUTIL!!!


Fico impressionado com o número de pessoas que se acham sinceros. E de fato, aparentemente a intenção deles é muito positiva, pois querem ser verdadeiros, honestos consigo mesmos e com os outros e afinal , preferível uma pessoa verdadeira a seu lado do que alguém falso.
Os "sinceros" definem aqueles que não o são, como falsos, porque esses ao invês de falar a verdade, ficam "floreando", usando de muitas palavras, tentando "esconder o sol com a peneira".
Vamos tentar entender melhor a questão.
Penso que sinceridade é fundamental para a boa comunicação entre todos, mas ressalto que essa posição deve ser exercida com sabedoria. Muitos são sinceros a custa do sofrimento dos outros, porque ao sermos verdadeiros de maneira crua, em alguns casos podemos ofender, ferir, machucar. E acredito, essa não é a proposta 
Ao mesmo tempo ser falso , em minha percepção é agir de maneira intencional, no sentido de enganar alguém em relação a si e aos outros. Ser falso é mascarar a verdade, é pintar um quadro sobre a realidade que, aos olhos do mais ingênuo é inverossímel.
Mas sob outra óptica, usar palavras brandas, de apaziguamento, buscando a melhor maneira de enfocar um assunto, ser sutil no uso das palavras, não é ser falso, antes exercer a sabedoria.
Deixo uma história, que ilustra um pouco o que quero dizer!
" Um rei, muito vaidoso, fez um concurso para saber como seus súditos o viam. Solicitou aos pintores do reino um quadro retratando de forma fiel a sua imagem. Todos sabiam da vaidade real e que este tinha um pequeno defeito, que não gostava que fosse notado: um nariz muito grande. Assim, TRÊS pintores se inscreveram pára o concurso e foram então designados para a tarefa. O primeiro retratou o rei em trajes majestosos, figura altiva como cabe a realeza, cavalcando pelos campos. No entanto, para ser fiel as regras do concurso retratou o rei com suas qualidades, mas também com seu grande nariz. Terminada a pintura o artista a levou para a apreciação do monarca.  Este, ao perceber seu enorme nariz na tela, mandou imediatamente executar o pintor. O outro também fez o rei em trajes bélissimos em uma caçada pelos campos. Mas TEMEROSO DO MESMO DESTINO DO PRIMEIRO, COLOCOU UM LINDO NARIZ  na tela. O monarca que era vaidoso mas não bobo, não se reconheceu naquele nariz e este pintor também foi morto. Por fim o terceiro retratou da mesma forma o rei em uma caçada, mas sutilmente o colocou de perfil de maneira que ao levantar o rifle para acertar uma ave, a arma lhe tampava o narigão que tanto o imcomodava"  Ao ver sua imagem tão belamente retratata o soberano ficou muito feliz e o artista foi recompensado generosamente 
Notem que o primeiro pintor foi sincero, foi fiel a realidade, mas não sábio e acabou sacrificado. O segundo, querendo ser esperto, usou de falsidade e hipocrisia para agradar o rei e se safar. Talvez em nossa sociedade muitos deles tenham sucesso, porque algumas autoridades e celebridades tem uma vaidade além dos limites, mas suas raízes não são profundas e acabarão sucumbindo diante de atitudes verdadeiras.
Por fim o terceiro pintor representa pessoas que investem na verdade construtiva, onde se busca focar as qualidades, minimizando os defeitos, não os encobrindo! 
Assim, é importante ser sincero e verdadeiro, mas ao mesmo tempo também seria interessante que soubéssemos exercer com misericórdia e sabedoria tão nobre qualidade!!!